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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Coragem, compaixão, autenticidade, vulnerabilidade.

Segue um momento fantástico,
Com o que de mais importante há para ser dito.
Que alma iluminada!
Humorada,
Infelizmente, não legendada...


domingo, 1 de dezembro de 2013

Sou homem e amo...no futebol!

Vivemos numa cultura na qual é difícil para a maioria dos homens expressar o que sente. Afinal, podemos sentir qualquer coisa como apego, dedicação, confiança, esperança, dúvida, medo, tristeza, amor etc.

Com o tempo, alguns com mais, outros com menos, vamos aprendendo a expressar nossos sentimentos, um pouco com nossos pais, mais espontaneamente com nossas mulheres, mais naturalmente com nossos filhos. Mas expressar em público, perante outros homens, continua sendo um tabu.

Sentimentos relativos à sensibilidade e à fragilidade parecem ter sido reservados apenas às mulheres, como se os homens não sentissem tal coisa. Daí vem toda aquela ladaínha de "viadinho", "mulherzinha" etc. com a qual brincamos ou xingamos outros homens ainda que não tenhamos colocado em xeque sua opção sexual. Com isso estamos sendo papagaios de uma cultura herdada sobre a qual talvez não tenhamos refletido sobre o quanto realmente ela é importante para nós ou não.

Mas os sentimentos não são uma dimensão pessoal que possa ser simplesmente ignorada e, nesse momento podemos dizer: Ainda bem que temos o futebol!

No futebol - e alguns homens talvez apenas no futebol - podemos ser livres. Podemos abandonar a racionalidade e sentir. Podemos abandonar o utilitarismo e termos orgulho de sermos leais a um time ainda que ele só nos traga tristezas, vivendo um nobre sentimento de fidelidade.

No futebol podemos acreditar em um time, confiar que ele vai vencer, ainda que contra as probabilidades. Somos, portanto, homens de esperança, aquela esperança que muitas vezes não nos permitimos num dia a dia duro e frustrante.

No futebol podemos abraçar nossos amigos e pular de alegria sem que sejamos chamados de "bichas". No futebol podemos chorar de tristeza, como crianças, sem ser xingados de "maricas".

Mas, acima de tudo, no futebol podemos amar. É nesse ambiente, é sobre esse fundamento e é nessas oportunidades que podemos nos permitir viver, publicamente, os sentimentos do amor.

O amor ao time. Ainda que um amor-guerreiro que muitas vezes depende da negação do time adversário para encontrar a própria identidade e o próprio valor. Mas é amor.

É amor porque no futebol, como torcedores, somos todos iguais e abandonamos a questão do poder. Ninguém é mais que ninguém e todos os torcedores são iguais e estão no mesmo barco, amarrados ao mesmo sentimento e destino.

É um amor indulgente, que nos liberta do fardo de lidar com a ambiguidade do amor-ódio que anda sempre presente. Amamos o nosso time, odiamos o adversário clássico, e isso basta.

É amor porque nos tira completamente da indiferença com que normalmente olhamos para tudo o que não nos atinge em nossos interesses individuais. Como torcedor, nada em meu time pode me prejudicar ou beneficiar diretamente: não me deixa mais rico ou mais pobre e não tem efeitos materiais sobre mim.

Mas que estrago faz em meu espírito e humor quando perde. E como enche o meu peito de alegria quando ganha. Ilumina ou escurece minha vida e posso contar isso, de boca cheia, para quem quiser ouvir. E vou ser aceito em meus sentimentos se expressá-los como torcedor.

O ciúme da mulher (do torcedor) pelo tempo roubado, pelo brilho nos olhos que não vem dela, também atesta que é uma relação de amor. Imagino que deva existir um sentimento dúbio no coração da mulher de um torcedor: feliz por vê-lo sentir, triste por não ser a causa.

Afinal, se não fosse amor, seria o que? Qual o sentido de um jogo ocupar tanto das vidas, do tempo e dos nossos recursos? Mas se é a chance de sentirmos, de cantarmos, de gritarmos (bora soltar os bichos e viva ao banho de sol para os demônios interiores), de chorarmos, de amarmos, aí tudo bem porque por amor, vale tudo.

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Uma leitura interessante sobre o tema da fragilidade, para homens e mulheres, é o Livro "Fragilidade"de Jean - Claude Carriére. Ed. Objetiva.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Deflorando mentes.

Eu sei quem você é.
Nós mal nos conhecemos.
Eu sou boa em adivinhação, intuição e em juntar peças desconexas quaisquer sobre a vida dos homens em geral. Mais alguns minutos de conversa e perguntas e eu poderei traçar um perfil completo de você.
Interessante... mas eu prefiro deflorar-te!
O que você está falando, seu canalha vulgar? Eu vou embora!
Fique aqui (ele a segura pelo braço), eu só posso e só vou deflorar a tua mente.
(silêncio e suspense angustiantes)
Eu não suporto o silêncio.
Ele é necessário. E agora que se acaba, vejo que em teu caso ele será quebrado de modo particularmente doloroso.
Estou ouvindo... (olhar desafiador)
Deflorar é tirar a flor. As pessoas comuns acham que trata-se de tirar a virgindade, romper o hímen. Mas como sabes, esta flor não te posso tirar novamente. Eu falo em deflorar a parte mais bela e intocada de tua mente: como julgas o mundo, e por reflexo, o que pensas de ti mesma.
(tristeza)
Aqui na rua? As pessoas estão olhando. Não faça isso, por favor.
É uma violência necessária a tua vida, pois estás a desperdiçando vergonhosamente, não preciso de tua autorização. Além disso, não te preocupes, eu já tive a minha vez, e por isso posso fazer isso por ti.
Levanta a saia dos teus preconceitos.
(ela, relutante, levanta)
Desabotoa a blusa de teus auto-enganos.
(seus dedos tocam os botões e hesitam; ele a ajuda)
Tira o sutiã de tuas ideologias.
Não (,) pára, eu não suporto mais isso. Tem que ser assim?
Tem que ser assim.
Baixa a calcinha de teus moralismos.
Eu não quero mais ouvir isso!
(se debate)
Estou quase acabando...
(Ela chora, enquanto as suas decisões anteriores, tão parecidas umas com as outras, alinham-se para uma última fotografia de despedida que faz sua mente latejar)
O que você fez comigo?
Perceba.
(ela primeiro desvia o olhar, mas quando olha,  mal se reconhece.)
Que é essa doce e intensa presença?
Acabamos. Veja como você está linda. Melhor, veja como VOCÊ É LINDA, PERFEITA!
(ela respira profunda)
Como te sentes sem a castidade mental com a qual impedias a ti própria o gozo dos teus infinitos, especiais e únicos potenciais?
Estranha, como se estivesse nua, mas não é ruim como eu imaginava. Estou bem...
Estás livre. Segue agora para uma vida intensa, porque os teus anos têm andado apressados. Já sabes o principal, que a beleza de tua mente não está em sua virgindade.
Posso ir contigo?
Dessa vez não.
Obrigada assim mesmo.



Esse texto foi desenvolvido a partir do texto original 'Deflorando mentes' de 2008 do mesmo autor.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Coração de princesa, boca de plebéia.

Seguindo o conselho de meus amigos, segue texto apartado e emancipado de sua fonte inspiradora.

Quem gosta de saber onde está pisando, pode tentar adivinhar qual é o filme de referência do texto...

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Um mundo dorme, o outro acorda.

Acordei eu, da minha vida enfadonha, para um silencioso pesadelo.
Adeus doce desconforto.

Aqui de fora, olho para nossa casa e vejo você dançando com seus amigos.
Aos 30 anos, me sinto muito só.

Cansei de ser eu.
Dizem que não posso mudar o que sou.
Dizem que as derrotas habituais são mais suportáveis.
Ameaçam: Se você for embora, será para sempre.
Murmuram: Não nos traia, não faça como aquele-você-sabe-quem.

Descubro que com uma chave-mestra posso ter qualquer coisa.
Custe o que custar, eu quero uma dessas.

- Para ganhá-la, tens que trincar o coração de cristal de uma princesa.

EU PRECISO de uma chave-mestra, não me importo com o resto.

- Vivo no submundo mas sou uma princesa de estirpe. Tenho o coração de uma princesa, sirvo?

- Para mim tu és apenas uma pirralha, fofa e imunda.

(Olhos marejados)
(Choro)...
E a chave-mestra finalmente em minhas mãos!  Minha jornada terminou?

Não, está apenas começando.
Despeja o escravo sorridente da sala e nela acolhe o bruto desajeitado que se esconde no porão.
Vai, diga mais à tal princesa, diga-lhe 'a verdade'!

Aqui, não gostamos de plebéias metidas a princesa, volte para a favela, feiosa.
Se resolver sair de lá, você deve ficar na cidade.
Desta cidade você não pode sair jamais.
A glória dos livres não é pra você.

Os gostos são muito variados, alguns são especialmente únicos e especiais.
Tu, és capaz de gostares de mim assim desse jeito.

Já o sabes? Como podem os doces amargar tão rápido?
Não quero mais o que queria antes.
Me perdoa?

Nem o doce nem o amargo permanecem.
Nossos passados já podem ser destruídos para que um novo destino nasça.
Toma meu coração, sabes o movimento, faze-o como quem puxa um plug da tomada.

E a partir de hoje nos faremos:

À força,
com coragem,
sorvendo a beleza,
dando amor...
e zoando de nossas finitude e pretensões.

Menina travessa e terrível guerreira!? Quantas camadas...


Uma, fina e impenetrável, para labutar ao sol em teu trabalho nojento,
Outra, de pura branca flor, para usar à noite com teu homem.

domingo, 25 de novembro de 2012

Que Educação precisamos para Amanhã?

Para quem acha que educação é principalmente aprender o que já existe - concepção tradicional - vale ouvir Sir Ken Robison em sua fala na TED (http://www.ted.com) - com legendas em português:


E a parte 2:



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Cada vez mais...

Cada vez mais prefiro,
Ser a Ter,
Ser a Saber,
Ser a Fazer,

E o tirano em mim, cada vez menos me obriga a,
Manter-me numa distância segura dos outros,
Dis(trair)-me de mim,
Usar o controle remoto do 'Click',

Mas ainda me assola,
Prometer,
Pertencer,
Amar,

E me amola,
Desejar,
Lutar,
Fracassar,

E me amola ainda mais,
Fingir não ser, do que fingir ser,
Deixar de pagar ao bem, do que deixar de pagar ao mal,
Errar por omissão, do que errar por ação,

E me define,
Andar por aí como se buscasse,
Mesmo sendo sem graça alcançar miragens,
Pois o bom mesmo é encontrar-se,
Con1sigo novo e belo,
Que só se revela,
Quando o outro deixa de ser o Outro,
E o eu-exilado é recebido com alegria de volta ao Lar.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Alguns recusam o empréstimo da vida para evitar o débito da morte

"Alguns recusam o empréstimo da vida para evitar o débito da morte
...
... as pessoas que morrem mais felizes são as que melhor viveram suas vidas. E acredito que isso se deve ao fato de que elas não têm grandes arrependimentos por não ter vivido suas vidas. Afinal não precisam se arrepender de ainda não ter dito as pessoas ao seu redor como as ama, pois já disseram. Não se arrependem de não ter contemplado a beleza da natureza e da vida, pois já a fizeram. Não se arrependem de não ter rido e ter se divertido mais, pois fizeram de suas vidas uma grande alegria. Ou seja, não temem tanto a morte, pois já foram se despedindo de suas vidas aproveitando todas as oportunidades que ela lhe ofereceu. ..."

Texto de Claudia Goellner Signoretti veja em 

http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_33962/artigo_sobre_alguns_recusam_o_emprestimo_da_vida_para_evitar_o_debito_da_morte

domingo, 6 de março de 2011

Sabedoria popular

A coisa tá uma bagunça? dá um freio de arrumação.

Isto é quando o motora, tá com o caminhão carregado e tá tudo uma bagunça e ele mete o pé no freio e a pressão ajeita tudo; este é o tal do freio de arrumação.

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Se alguém chegar para ti, querendo resolver um problema, cheio de argumentos, lhe pergunte: meu caro, escolha, nesta questão, tu quer ter razão ou quer ser feliz?

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Para alguém muito perturbado, exorcise assim: Saiam demônios, deste corpo, mas saiam de dez em dez que é prá não causar tumulto.

(as frases são coletadas, sou só o escriba)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Texto atribuído a Jabor: Eu chamaria de egoísmo x altruísmo

Será que a opinião pública está tão interessada assim na visão que Narcisa
Tamborindeguy ou Adriane Galisteu têm da vida? A julgar pelo espaço que a
mídia dedica a esse tipo de formador (?????) de opinião, o Brasil virou um
imenso Castelo de Caras. Adriane Galisteu, após o seu casamento relâmpago,
falou às páginas amarelas de "Veja" e deu aula magna de insensibilidade,
egoísmo e... sinceridade! Estranha mistura, mas a moça tem razão quando se
diz sincera. Ela não engana, revela‑se de corpo (e que corpo!) inteiro, e o
retrato que aparece é assustador! Adriane teve uma infância atribulada,
perdeu o pai aos 15 anos, ainda pobre, e um irmão com AIDS quando já não era
tão pobre. "Eu não tinha um tostão, não tinha dinheiro para comprar um
pastel. Meu irmão estava doente. Minha mãe ganhava 190 reais do INSS, meu
pai já tinha morrido. Eu sustentava todo mundo e não tinha poupança
alguma". Peço licença a Adriane, mas vou falar de outra infância triste
de mulher,a de Rosa Célia Barbosa. Seu perfil ‑ admirável ‑ surgiu em
recente reportagem da "Vejinha" sobre os melhores médicos do Rio de Janeiro.
Alagoana, pequena, 1m50cm, começou a sua odisséia aos sete anos. Largada
num orfanato em Botafogo, Rosa Célia chorou durante meses. Toda a mulher de
saia eu achava que era a minha mãe que vinha me buscar. Depois de um
tempo, desisti.". Voltemos a Adriane Galisteu. Ela é rica, bem sucedida, e
"nem na metade da escada ainda". A escada, não deixa de ser uma boa imagem
para alguém que ‑ como uma verdadeira Scarlet O´Hara de tempos neoliberais
(muito mais neo que liberais) ‑ resolveu que nunca mais vai passar fome. Até
aí, tudo bem; mas é desconcertante ver como o sofrimento pode levar à total
insensibilidade. Pergunta da repórter a Adriane se ela faria algo para o bem
do outro: "Para o bem do outro? Não, só faço pelo meu bem. Essa coisa de dar
sem cobrar, dar sem pedir, não existe. Depois, você acaba jogando isso
na cara do outro." "Você nunca cede, então?" "Cedo, claro que cedo. Já cedi
em coisas que não afetam a minha vida. Ele gosta de dormir em lençol
de linho
>>>> e eu gosto de dormir em lençol de seda. Aí dá para ceder..." Rosa Célia
fez vestibular de medicina quando morava de favor num
quartinho e trabalhava para manter‑se. Formou‑se e resolveu dedicar‑se à
cardiologia neonatal e infantil, quando trabalhava no Hospital da Lagoa. Sem
saber inglês, meteu na cabeça que teria que estudar no
National Heart Hospital, em Londres, com Jane Sommerville, a maior
especialista mundial no assunto. Estudou inglês e conseguiu uma bolsa e uma
carta da Dra. Sommerville. Em Londres, era gozada pelos colegas ingleses por
causa de seu inglês jeca. Ganhou o respeito geral quando acertou um
diagnóstico difícil numa paciente escocesa, após examiná‑la por oito horas
seguidas. "Ela falava um inglês ainda pior do que o eu", lembra Rosa Célia
divertida.
Adriane Galisteu está rica, mas não confia em ninguém, salvo na mãe Nem nos
amigos. Vejam: "Eu não posso sair confiando nas pessoas". Não tenho
motorista, nem segurança, por isso mesmo. É mais gente para te trair. Eu
confio mais nos bichos do que nas pessoas. Ainda existem pessoas que acham
que eu tenho amnésia. Muitas das que convivem comigo hoje já me viraram a
cara quando estava por baixo. Mas você pensa que eu as trato mal? Trato com
a maior naturalidade. Porque elas podem até me usar, mas eu
vou usá‑las também. "É uma troca." De Londres, Rosa Célia iria direto para
Houston, nos Estados Unidos. Fora escolhida e convidada para a Meca da
cardiologia mundial. Futuro brilhante a aguardava. Uma gravidez inesperada
atrapalhou o sonho. Pediu 24 horas para pensar e optou pelo filho, voltando
ao Rio de Janeiro. Reassumiu seu cargo no Hospital da Lagoa e abriu
consultório. Mas todo ano
viaja para estudar. Passa no mínimo um mês no Children´s Hospital, em
Boston, trabalhando 12 horas por dia. "Você gosta de dinheiro, (Adriane)?"
"Adoro dinheiro e detesto hipocrisia". Gasto, gosto de gastar, gosto de não
fazer conta, de viajar de primeira classe. Tem gente que fala: esse dinheiro
que ganhei eu vou doar... O meu eu não dôo não. O meu eu dôo é para a minha
conta. Eu adoro fazer o bem, mas também tenho minhas prioridades: minha
casa, minha família. Primeiro vou ajudar quem está mais próximo. "Mas
faço minhas campanhas beneficentes." Rosa Célia atualmente chefia um
sofisticadíssimo centro cardiológico, o Pró‑Cardíaco. Lá são tratados casos
limite, histórias tristes. O hospital é privado e caríssimo, mas ela achou
um jeito de operar ali crianças sem posses. Criou uma ONG, passa o chapéu,
fala com amigos e com empresários. O seu Projeto Pró‑Criança já atendeu mais
de 500, e 120
foram operadas. Sonhei a vida inteira e fiz. Não importou ser pobre, mulher,
baixinha, alagoana. Eu fiz." Voltemos a Adriane Galisteu e esbarraremos,
brutalmente, na frustração. Já tive vontade de viajar e não podia. Queria
ter um carro e não tinha. Queria ter feito uma faculdade e não tive
dinheiro. Não que eu sinta falta de livros, porque livro a gente compra na
esquina, e conhecimento a gente adquire na vida. Eu sinto falta é de contar
para os amigos essas histórias que todo mundo tem, do tempo da
faculdade. Duas vidas, dois perfis fora da normalidade, matéria‑prima para
os órgãos de imprensa. Mas qual é a mais valorizada pela mídia hoje em dia?
É fácil constatar e chegar à conclusão de que há algo muito errado com a
nossa sociedade. Pode ser até que o leitor tenha interesse mórbido
em saber o que as louras e morenas burras ou muito espertas andam fazendo,
mas a mídia não deve limitar‑se a refletir e a conformar‑se com a
mediocridade, o vazio, o oportunismo e a falta de ética. Os órgãos de
imprensa devem ter um papel transformador na sociedade e, nesse sentido,
estaríamos melhor servidos se houvesse mais Rosas Célias nos jornais, nas
revistas e TVs que nos cercam. Voltando ao Castelo de Caras, as belas
Adrianes, Narcisas, Lucianas,Suzanas ou Carlas, certamente encontrarão lá um
espelho mágico... Se for mesmo mágico dirá que Rosa Célia é mais bela do que
todas vocês.

Fala a um antigo amigo

Meu Amigo Pedro (letra do mestre Raul), ouça em http://www.youtube.com/watch?v=oU2aGLfmZvg


Muitas vezes Pedro você fala

Sempre a se queixar da solidão

quem te fez com ferro fez com fogo, Pedro

É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia

Sem saber se é bom ou se é ruim

quando quer chorar vai ao banheiro

Pedro, as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso

Ou me queimo torto no inferno

Eu penso em você meu pobre amigo

Que só usa sempre o mesmo terno

Pedro onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou


Mas tudo acaba onde co..me..çou

Tente me ensinar das tuas coisas

Que a vida é séria e a guerra é dura

Mas, se não puder cale essa boca, Pedro

E deixa eu viver minha loucura

Lembro Pedro aqueles velhos dias

Quando os dois pensavam sobre o mundo

Hoje eu te chamo de careta

E você me chama de vagabundo

Pedro onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou

Mas, tudo acaba onde co..me..çou

Todos os caminhos são iguais
O que leva à glória ou a


perdição

Há tantos caminhos, tantas portas

Mas, somente um tem coração

E eu não tenho nada a te dizer

Mas, não me critique como eu sou

Cada um de nós é um universo, Pedro

Onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou

Mas tudo acaba onde co..me..çou

É que tudo acaba onde co..me..çou

VIAJANDO PELO MUNDO RICO.

Vivemos num mundo muito rico. A Terra é rica, e não estou falando de dinheiro, mas de momentos e encontros. Mas 'muito rico' aqui não quer dizer maravilhoso, porque há muita dor, muitas injustiças e muita merda também (a gente não gosta nem de ouvir esse “nome” sujo, e quanto à merda em si, queremos dizer que o seu cheiro é culpa do ralo, mas como já perguntaram: “e quem é que usa o banheiro e alimenta o ralo”?).
Há pelo menos tantas porcarias, dos mais diferentes odores e feiuras, quanto beleza, bondade, amor e amizade. Mas, somando tudo,comunicado em todas as línguas, vivido em todos os lugares, praticado em todos os tempos, vivemos, definitivamente, no planeta mais rico do Universo, isso dentre os milhões (serão milhões?) de planetas existentes.
Somos ricos enfim, embora a riqueza não se traduza apenas por felicidade e haja uma recorrente tristeza imposta por um mundo que faz sombra inafastável (como ninguém consegue se afastar da sombra, isso é redundante?) aos nossos sonhos e desejos.
Falando da parte desta riqueza que corresponde à felicidade - porque sendo a tristeza inescapável como é, não precisamos buscar encontrá-la - se cada pessoa pudesse e se dispusesse a, durante toda a sua vida a, apenas aprender e aperfeiçoar o receber e o dar das mais variadas belezas e coisas, ainda assim, não poderia realmente usufruir senão uma pequena parte dessas coisas.
Quem sabe o que a música causa em nós, sabe que senão todas as pessoas, pelo menos a maioria deveria ter pelo menos algum dom musical desenvolvido. Quem já viajou para um país de língua estrangeira (Romênia, por exemplo), gostaria de saber falar pelo menos uma língua, mais universal, que lhe permitisse entrar em contato com as outras culturas.
Mas que língua seria essa? Nem mesmo o inglês chega perto de ser tão universal quanto a música ou outra arte popular que, não importa onde tu estejas, fala aos outros e te permite que os outros, através de suas reações, te falem também.
E o que dizer da riqueza do álcool? Não apenas da infinidade de variações de um mesmo tipo ou de variações de tipos de bebida; mas da riqueza de situações humanas de que o álcool participa. Como dissemos, a riqueza não é apenas boa e há acidentes, brigas, mortes, doenças e outros sofrimentos associados ao consumo do álcool, mas também há a permissão para que a parte natural do animal-homem respire, com um resfôlego, um pouco acima do peso da cultura, da moral e do cotidiano que o soterra.
É um mundo rico porque se viajas, podes encontrar idiotas tão grandes quanto existem em teu próprio país, aliás, podes encontrar idiotas ainda mais idiotas (porque não vais viver no mesmo mundo pequeno que vives em sua pátria, e este será o teu referencial comparativo).
Vais também encontrar pessoas que parecem idiotas mas não são. Pelo seu drama pessoal (a riqueza do mundo faz-se a encontrarem pessoas-momentos felizes e tristes) ou cultura, não conseguem ou não querem lembrar, conhecer ou compartilhar, na riqueza da vida, o momento do outro.
Mas também existem as pessoas especiais, que vais conhecer, às vezes por um pequeno momento, em um simples gesto de educação, solidariedade, amizade ou, enfim, simplesmente, humanidade, que sabes que será apenas por aquele momento e que possivelmente nunca mais a verás. É um mundo tão rico que uma situação tão significativa pode acontecer milhares de vezes, desde que tu tenhas a presença de espírito e corpo para o vivenciar.
É um mundo para aprender, para sorrir, para ansiar, sofrer, desejar, conversar, conhecer, experimentar, surpreender-se.
Mas há algo a fazer quando descobres a beleza e a riqueza do mundo: O que o mundo pede à riqueza, é que ela circule, pois não se cria e não se mantém riqueza sem que ela seja compartilhada, pois a riqueza não é um objeto, é um estado, um modo, ou uma condição, das coisas e das pessoas, que se partilham com as outras coisas e pessoas. Isso é o reconhecimento de um lugar para a 'economia da felicidade', ao lado das atualíssimas 'economia da informação' e 'economia comportamental' (financista).
Dando ou recebendo, não importa a sua ênfase, até porque “é dando que se recebe” e “cada uno dá, lo que recibe, luego recibe lo que dá”, circule a riqueza do mundo que se encontra a sua disposição, ao seu encargo, responsabilidade e usufruto.
A ti, leitor, por fim, desejo Verdade, Realidade e Beleza, enfim, o que já tens.

sábado, 9 de outubro de 2010

Dos amigos:

Tá no inferno, abraça o diabo.

nós capota, mas não brequa.

o que não falta é tatu para me levar para o buraco
Hoje eu arrebento. Arrebendo a inércia e torpor que me envolvem e me impedem de fazer. Hoje quero ser "homo fabris". Passa o dia e me encontro com o meu desejo parcialmente realizado. O que é um desejo parcialmente realizado? Isto depende de tuas expectativas. Se depositavas em teu objeto de desejo expectativas de felicidades próprias, elas eram irreais e desleais com a subjetividade dele... sim, o que é inegável objeto para ti, é sujeito para si próprio. Como aposto que te consideras um sujeito quando páras para pensar, embora no dia a dia te trates tanto como objeto quanto tratas aos outros sujeitos. Isso afinal não interessa. E quanto à frustração que te faz diferenciar uma coisa da outra, ela é a tua origem e te acompanha. Sofra, odeie, e assim estarás irmanado em dor com aqueles próximos-distantes-próximos que, sendo ilhas, submergem e emergem todos do mesmo mar de incompreensôes e impotência que você.
O otimismo exagerado é o ópio dos desesperados. Raphael Matheus