A menina estava sozinha, sem seus brinquedos, ansiando por alguém.
O menino era ainda mais só. As mãos fortes esfarelavam o que desejasse.
Se conheceram, e na praia, deram um mergulho fundo, e algumas tragadas de ar.
A vida berrou-lhes nos ouvidos, dos quais escorria uma aquecida água do mar.
Mas logo haveria de calar-se, pois os calados eram ainda mais profundos que o mar.
O novo capitão, para passar melhor o tempo, esmerou-se na construção de um boneco. Expirou-lhe o espírito. Tornou-se ventríloco.
Antes mesmo de partir, testou a fala. Soava real. Até para si mesmo.
Buscou o Oriente e suas maravilhas. Encontrou uma de cabelos dourados. O espírito hesitou pois já não reconhecia bem a casa.
Partiu, pois o mundo lhe chamava. Mas nenhum porto o contentava. Rezou por ajuda.
- Sim, respondeu-lhe a silhueta de um fantasma espelhada na água: menos luz vai te fazer bem.
- Por que não? pensou o boneco. Mas mandou o ventríloquo em seu lugar.
Viveu algumas aventuras, mas tempos depois, num dia distraído, saltou-lhe por cima seu senhor, dominou-o, e sem explicar, deu-lhe o mesmo remédio.
Saído assim rápido da penumbra, seus olhos se incandesceram. O sol beijou-lhe a boca salgada e lambeu-lhe o pescoço forte. Parecia que não anoiteceria mais.
Num dia de outono porém, anunciou-se uma penumbra, envolveu-lhe e ao navio, por sobre ela vinha o boneco, trazendo uma mordaça de ferro dourado na qual pode ver horrorizado o seu nome escrito. Imobilizado. O boneco colocou-lhe no colo, e pôs-se a falar por ele. E por onde passava, era aclamado pelo seu engenho.
Um mal destino se desenhava, mas em suas navegações tinham se aproximado demais do Pólo Norte, e o magnetismo mostrou-se intenso, extenuante, implacável, e a velha mordaça cedeu.
Quem diria que justamente por estas frestas pudesse entrar algo tão suave. Era um veneno ou era um remédio?
Dependia da dose, claro. E acima não foi um bom negócio...
Acabou por matar o boneco.
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sexta-feira, 20 de junho de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Inimigo Pedro
Pedro emagrecia,
Com as noites mal dormidas,
Fechava os olhos e lhe aparecia,
Uma caverna parricida.
Logo ele?
Ex-atleta, cuidadoso, assim envergonhado,
Olhos fechados, susto danado,
Sua boca encardida e fétida,
Filas de dentes,
Caçadores, coletores,
Amarelados, deteriorados,
Decompostos, desregrados,
Acordava num sobressalto,
Corria para o espelho, se acalmava,
Brilhavam lá seus dentes cultivados,
Frutos da genética, bem higienizados,
Quando se cerravam as cortinas, contudo,
Soprava o hálito da morte,
E de tanto repetir-se a cena,
Começou a duvidar do espelho,
E a examinar,
Tão minuciosamente,
E por tanto tempo,
Os próprios dentes,
Que finalmente viu,
Bem acordado,
Bem ali,
O mal, o tártaro, o noturno visitante,
Não o tártaro dos dentistas,
Sim o tártaro dos deuses,
Onde os fortes morrem esquecidos,
Onde as amizades esmaecem,
Onde habitam as esperanças cansadas,
Os amores que não vieram,
Os amores que já se foram,
A velha criança desenganada.
Refletia-se,
Chorava, ria,
Dava adeus,
Dava a pedro,
Esperavam-no,
Sem saber,
Com paixão,
Foi-se.
Com as noites mal dormidas,
Fechava os olhos e lhe aparecia,
Uma caverna parricida.
Logo ele?
Ex-atleta, cuidadoso, assim envergonhado,
Olhos fechados, susto danado,
Sua boca encardida e fétida,
Filas de dentes,
Caçadores, coletores,
Amarelados, deteriorados,
Decompostos, desregrados,
Acordava num sobressalto,
Corria para o espelho, se acalmava,
Brilhavam lá seus dentes cultivados,
Frutos da genética, bem higienizados,
Quando se cerravam as cortinas, contudo,
Soprava o hálito da morte,
E de tanto repetir-se a cena,
Começou a duvidar do espelho,
E a examinar,
Tão minuciosamente,
E por tanto tempo,
Os próprios dentes,
Que finalmente viu,
Bem acordado,
Bem ali,
O mal, o tártaro, o noturno visitante,
Não o tártaro dos dentistas,
Sim o tártaro dos deuses,
Onde os fortes morrem esquecidos,
Onde as amizades esmaecem,
Onde habitam as esperanças cansadas,
Os amores que não vieram,
Os amores que já se foram,
A velha criança desenganada.
Refletia-se,
Chorava, ria,
Dava adeus,
Dava a pedro,
Esperavam-no,
Sem saber,
Com paixão,
Foi-se.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
A Grande Beleza (texto baseado no filme)
O vovô está muito parado hoje.
Está olhando pela janela desde manhã.
Eu olhei também, mas não consegui ver o que ele vê.
Às vezes ele sorri sem tirar os olhos de lá.
Aí eu olho de novo... mas nada.
Perguntei à mamãe e ela disse que é para eu ir cuidar de coisas de crianças.
E deixar as coisas de velho prá lá.
Por mais chato que seja olhar para o Jeb parado lá a manhã toda,
Quando ele sorri, parece que alguém está puxando e abrindo as cortinas para um belo espetáculo começar.
O que não faria sentido seria sorrir assim ao final do espetáculo.
Eu odeio a minha vida.
A voz doce da minha mãe me enjoa como um melaço tomado no bico da garrafa.
O olhar cuidadoso de meu pai me cerca e me oprime.
Eis que um dia conheço o amor.
A lua reflete-se na água, a água ondula com o vento e o vento brinca com teu vestido.
Tu diz-me 'Vem' e é como se o tempo também fosse contigo, lento, lentíssimo.
E de repente,
Tudo acelerado. Rodopiam. Gritam. Se esfregam. Cospem. Chafurdam.
E eu com eles. Eu sou eles. Não busco mais nada. Tampouco fujo. Fico ao vento.
E o vento me assopra. Mas persisto altivo. Me bajula, persisto. Me vira o rosto, me rio.
E eis que desiste. E por um instante sinto o sol arder em meu rosto, antes que a noite fria, acelerada, me abrace, dizendo-me que ela, e só ela, será minha companheira até o fim.
Sinto saudades. Sinto tristeza. Sinto culpa. Por isso não sinto mais nada.
Apenas um leve incômodo em meus cotovelos há tanto tempo apoiados no parapeito da janela.
E lembranças que me assaltam furtivas, brincalhonas, saudosas de mim.
E meu neto a me olhar, curioso, como se quisesse adivinhar o que vejo.
Ora o que vejo...
Está olhando pela janela desde manhã.
Eu olhei também, mas não consegui ver o que ele vê.
Às vezes ele sorri sem tirar os olhos de lá.
Aí eu olho de novo... mas nada.
Perguntei à mamãe e ela disse que é para eu ir cuidar de coisas de crianças.
E deixar as coisas de velho prá lá.
Por mais chato que seja olhar para o Jeb parado lá a manhã toda,
Quando ele sorri, parece que alguém está puxando e abrindo as cortinas para um belo espetáculo começar.
O que não faria sentido seria sorrir assim ao final do espetáculo.
Eu odeio a minha vida.
A voz doce da minha mãe me enjoa como um melaço tomado no bico da garrafa.
O olhar cuidadoso de meu pai me cerca e me oprime.
Eis que um dia conheço o amor.
A lua reflete-se na água, a água ondula com o vento e o vento brinca com teu vestido.
Tu diz-me 'Vem' e é como se o tempo também fosse contigo, lento, lentíssimo.
E de repente,
Tudo acelerado. Rodopiam. Gritam. Se esfregam. Cospem. Chafurdam.
E eu com eles. Eu sou eles. Não busco mais nada. Tampouco fujo. Fico ao vento.
E o vento me assopra. Mas persisto altivo. Me bajula, persisto. Me vira o rosto, me rio.
E eis que desiste. E por um instante sinto o sol arder em meu rosto, antes que a noite fria, acelerada, me abrace, dizendo-me que ela, e só ela, será minha companheira até o fim.
Sinto saudades. Sinto tristeza. Sinto culpa. Por isso não sinto mais nada.
Apenas um leve incômodo em meus cotovelos há tanto tempo apoiados no parapeito da janela.
E lembranças que me assaltam furtivas, brincalhonas, saudosas de mim.
E meu neto a me olhar, curioso, como se quisesse adivinhar o que vejo.
Ora o que vejo...
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Batman sobe, Snowden cai e a Águia quer o seu fígado..
Tributo literário a Edward Snowden, filho contemporâneo de Prometeu.
-------
Siga-o, com a raiva em seus ossos.
Você não está vivendo, apenas está esperando as coisas ficarem ruins de novo.
Muito garotos vão para os túneis quando passam da idade.
Considerando que teu corpo não tem cicatrizes, eu não recomendo.
O mal ressurge do lugar onde tentamos enterrá-lo. Segredos não são mais possíveis.
Você não está presumindo muita coisa?
Não se preocupe, leva um pouco de tempo para se pegar o novo ritmo.
Ela precisava apenas de teu conhecimento. Por que entregaste também a vida?
Amor!? ... Ah, então essa é a sensação...
O que serve a uma pessoa é senhor da outra.
Quando digo que este dia é apenas mais um dia, estou preparando o meu arrependimento.
Você sabe o que está fazendo? Eu sei o que isso significa. Significa que você vai me odiar e que eu vou perder alguém cuja falta não posso suportar.
- Você é a maldade em pessoa.
- Não, eu sou um mal necessário.
- Eu sinto pelo que vai lhe acontecer.
- Não, você não sente.
Agora você é um dos nossos, não tem mais permissão para acreditar em coincidências.
O sofrimento fortalece o caráter.
Alguém vai e leva tudo, outro alguém vem e traz em troca um beijo e a traição.
A paz custou as suas forças. A VITÓRIA DERROTOU VOCÊ.
Você adotou a escuridão. Eu nasci na luz.
Sim, eu queria saber o que iria ser destruído antes. Seu corpo ou seu espírito?
Um homem precisa comer carne humana às vezes, Mas que apetite você tem!
Vc é um torturador? Sim, mas não do teu corpo. Da tua alma.
Eu aprendi que o desespero mais real mora no logo abaixo da esperança. Eles são um casal, com muita diferença de idade.
- Eu vim apenas para devolver o controle ao povo.
- Mas os ricos serão arrancados de seus ninhos aconchegantes.
A inocência não pode florescer aqui, ela tem de ser erradicada.
Uma criança nascida no inferno, forjada no sofrimento, endurecida pela dor, cuja beleza fora violada. uma criança extraordinária, não uma de privilégios. Ela destrói o mundo ou o reconstrói?
O salto para a liberdade não é uma questão de força. A sobrevivência é do espírito, da alma.
Você não teme a morte e acha que isso o deixa forte, isso o deixa fraco. A força mais poderosa do universo é o medo da morte. O jovem que alcançou a liberdade sem a corda e saiu do poço de onde jamais ninguém conseguiu escapar.
Ressurja, nascido no céu, para que possa salvar aos demais. Renasçam também os fígados, vitimizados por águias ou pelo álcool.
Como um nascido no inferno numa prisão sem grades, você está nela porque quer, merece ou não se esforçou o suficiente. Você é o culpado e vencer essa culpa não é uma questão de força.
A máscara não é para te proteger, e sim às pessoas que você mais ama. De que? De você mesmo.
Venha comigo, fica comigo, se salve, você não deve mais nada a essas pessoas, você deu tudo a elas.
Ouço o som do confronto, o som do recomeço, onde está o medo da morte agora? Mais próximo do que se possa imaginar.
Uma boa notícia eu te respondo em silêncio e olhando em teus olhos.
- Não faça isso conosco, somos inocentes.
- Inocente é uma palavra forte para se usar aqui.
É a faca lenta, que espera anos sem esquecer, nunca esquecida, que foge silenciosamente por dentre os ossos, é a faca que corta mais fundo.
Sinta o calor da fogueira em que queimam todas as almas que você decepcionou.
Cumpro as ordens do Pai, e concluo a obra que Ele começou, e meu pai tudo vê e tudo sabe.
Seria bom imaginar que o Bem vence e que o mocinho volta para casa para encontrar a mocinha, mas pode ser que ela não esteja lá quando ele voltar, pode ser que ela tenha problemas em ser mocinha, ou pode ser que o mocinho não volte.
Há um preço a ser pago pelas coisas, certas ou erradas, cedo ou tarde, eu ou você.
Almas úteis, prósperas e felizes é o meu legado.
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Siga-o, com a raiva em seus ossos.
Você não está vivendo, apenas está esperando as coisas ficarem ruins de novo.
Muito garotos vão para os túneis quando passam da idade.
Considerando que teu corpo não tem cicatrizes, eu não recomendo.
O mal ressurge do lugar onde tentamos enterrá-lo. Segredos não são mais possíveis.
Você não está presumindo muita coisa?
Não se preocupe, leva um pouco de tempo para se pegar o novo ritmo.
Ela precisava apenas de teu conhecimento. Por que entregaste também a vida?
Amor!? ... Ah, então essa é a sensação...
O que serve a uma pessoa é senhor da outra.
Quando digo que este dia é apenas mais um dia, estou preparando o meu arrependimento.
Você sabe o que está fazendo? Eu sei o que isso significa. Significa que você vai me odiar e que eu vou perder alguém cuja falta não posso suportar.
- Você é a maldade em pessoa.
- Não, eu sou um mal necessário.
- Eu sinto pelo que vai lhe acontecer.
- Não, você não sente.
Agora você é um dos nossos, não tem mais permissão para acreditar em coincidências.
O sofrimento fortalece o caráter.
Alguém vai e leva tudo, outro alguém vem e traz em troca um beijo e a traição.
A paz custou as suas forças. A VITÓRIA DERROTOU VOCÊ.
Você adotou a escuridão. Eu nasci na luz.
Sim, eu queria saber o que iria ser destruído antes. Seu corpo ou seu espírito?
Um homem precisa comer carne humana às vezes, Mas que apetite você tem!
Vc é um torturador? Sim, mas não do teu corpo. Da tua alma.
Eu aprendi que o desespero mais real mora no logo abaixo da esperança. Eles são um casal, com muita diferença de idade.
- Eu vim apenas para devolver o controle ao povo.
- Mas os ricos serão arrancados de seus ninhos aconchegantes.
A inocência não pode florescer aqui, ela tem de ser erradicada.
Uma criança nascida no inferno, forjada no sofrimento, endurecida pela dor, cuja beleza fora violada. uma criança extraordinária, não uma de privilégios. Ela destrói o mundo ou o reconstrói?
O salto para a liberdade não é uma questão de força. A sobrevivência é do espírito, da alma.
Você não teme a morte e acha que isso o deixa forte, isso o deixa fraco. A força mais poderosa do universo é o medo da morte. O jovem que alcançou a liberdade sem a corda e saiu do poço de onde jamais ninguém conseguiu escapar.
Ressurja, nascido no céu, para que possa salvar aos demais. Renasçam também os fígados, vitimizados por águias ou pelo álcool.
Como um nascido no inferno numa prisão sem grades, você está nela porque quer, merece ou não se esforçou o suficiente. Você é o culpado e vencer essa culpa não é uma questão de força.
A máscara não é para te proteger, e sim às pessoas que você mais ama. De que? De você mesmo.
Venha comigo, fica comigo, se salve, você não deve mais nada a essas pessoas, você deu tudo a elas.
Ouço o som do confronto, o som do recomeço, onde está o medo da morte agora? Mais próximo do que se possa imaginar.
Uma boa notícia eu te respondo em silêncio e olhando em teus olhos.
- Não faça isso conosco, somos inocentes.
- Inocente é uma palavra forte para se usar aqui.
É a faca lenta, que espera anos sem esquecer, nunca esquecida, que foge silenciosamente por dentre os ossos, é a faca que corta mais fundo.
Sinta o calor da fogueira em que queimam todas as almas que você decepcionou.
Cumpro as ordens do Pai, e concluo a obra que Ele começou, e meu pai tudo vê e tudo sabe.
Seria bom imaginar que o Bem vence e que o mocinho volta para casa para encontrar a mocinha, mas pode ser que ela não esteja lá quando ele voltar, pode ser que ela tenha problemas em ser mocinha, ou pode ser que o mocinho não volte.
Há um preço a ser pago pelas coisas, certas ou erradas, cedo ou tarde, eu ou você.
Almas úteis, prósperas e felizes é o meu legado.
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segunda-feira, 15 de julho de 2013
O primeiro Wi-Fi da Humanidade.
Upload.
Download.
Meu computador pessoal carrega-se no mundo.
E depois se descarrega a fundo.
Sem upload download não é possível fazer.
Sem download a Terra vive muito bem.
Inspira.
Expira.
Inspira como se a tua vida dependesse desse upload.
Expira porque é da graça esse download.
Internet discada? Culpa do nariz congestionado.
Ainda bem que todo mundo nasceu com banda larga. Respira com a boca.
A respiração é o primeiro Wi-Fi humano.
Superado o cordão umbilical,
Vaga memória da fibra ótica,
Só esse estranho UmSBigo,
Em um outro mundo talvez, séculos a frente,
Como um Avatar azul de crina negra,
Eu pudesse me conectar à Mãe Natureza,
Como séculos atrás constumávamos fazer.
Download.
Meu computador pessoal carrega-se no mundo.
E depois se descarrega a fundo.
Sem upload download não é possível fazer.
Sem download a Terra vive muito bem.
Inspira.
Expira.
Inspira como se a tua vida dependesse desse upload.
Expira porque é da graça esse download.
Internet discada? Culpa do nariz congestionado.
Ainda bem que todo mundo nasceu com banda larga. Respira com a boca.
A respiração é o primeiro Wi-Fi humano.
Superado o cordão umbilical,
Vaga memória da fibra ótica,
Só esse estranho UmSBigo,
Em um outro mundo talvez, séculos a frente,
Como um Avatar azul de crina negra,
Eu pudesse me conectar à Mãe Natureza,
Como séculos atrás constumávamos fazer.
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domingo, 14 de julho de 2013
Manifestações. Análise 2. O povo continua sendo subestimado.
Derrota da PEC 37: O povo continua sendo subestimado.
As atuais manifestações e protestos surpreenderam a muitos, nas redes sociais e nas ruas. Surge naturalmente uma vontade de tentar explicá-las e já temos várias análises. Esta, visa debater com a análise feita pelo texto “Derrota da PEC 37: a apropriação corporativa das manifestações de rua no Brasil”. A ideia geral é apresentada de plano: “O movimento das ruas se deixou apropriar por um dos lados do conflito corporativo. Deixou-se de cobrar o que realmente importa na investigação criminal: segurança jurídica, respeito aos direitos do investigado e o fim da violência policial e de disputas corporativistas”. Para a melhor compreensão deste texto, vale a leitura daquele primeiro, que você pode encontrar aqui http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/ derrota-da-pec-37-a-apropriacao-corporativa-da s-manifestacoes-de-rua-no-brasil/
Interlúdio: Se você quiser ler um bom texto de verdade sobre as motivações dos protestos, leia http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/119566-quotanota-ai-eu-sou-ninguemquot.shtml.
A pergunta é: A sociedade foi enganada ou manipulada em sua livre vontade de protestar ao pedir a rejeição da PEC 37?
Umas das coisas que as análises têm abordado é que falta orientação e direção claros nos protestos. Isso levou comentaristas a dizer que a multidão não tinha foco. Ao que foram respondidos que o que existem são muitos e muitos focos e não ausência de objetivos.
Bom, o argumento do texto é de que essa falta de foco, a impulsividade e os erros das informações nas redes sociais induziram as manifestações a erro. Tendo levado a população a tomar partido numa disputa entre as corporações do Ministério Público e da Polícia e levando-a a esquecer-se de cobrar outras medidas mais efetivas de melhoria da segurança pública.
Qualquer profissional ou pessoa que resolver estudar problemas públicos com atenção e persistência, encontrará milhares deles e centenas de propostas de solução, que em princípio podem funcionar. Sem dúvida, existiam e existem muitas outras coisas importantes que deveriam causar protestos. Por que a sociedade escolheu uma duzia destas em prejuízo do restante? Essas foram as escolhas certas? Essa é uma reflexão importante, mas é prematuro afirmar que a percepção ou modo de escolha estão errados.
O que quero abordar é principalmente a análise feita sobre o Ministério Público e também tratar um pouco de sua relação com a Polícia. Ao fazê-la, não tenho como me afastar muito da minha experiência de fazer parte do Ministério Público Federal há quase 10 anos. Mas também não a posso tomar como a realidade de todo o Ministério Público Federal ou dos demais Ministérios Públicos. A vida é muito maior que nossas pequenas experiências e visões pessoais e conclusões genéricas acabam sempre sujeitas a revisões.
O texto que estamos analisando tem vários diagnósticos interessantes. Mas quero analisar alguns dos quais eu discordei mais.
O primeiro trecho é “...Mas promove por vezes seleção do caso persecutório, dando preferência ao que lhe ofereça maior exposição midiática e ao que traduza maior risco para atores da política e da economia...”.
Isso é algo que eu tenho ouvido eventualmente por ali ou por aqui, mas não corresponde a minha experiência como promotor de justiça no âmbito federal. A expressão “por vezes” é muito vaga para se ter uma noção firme. Quantas vezes, em quais casos e quantos casos esses representam do total de investigações? Esse é um número que um comentarista externo teria dificuldade de obter, mas comentários de um Corregedor-geral do Ministério Público sempre podem vir acompanhados de estudos, números e documentos técnicos que se sobreponham em qualidade a informações como as que teriam em tese induzido a erro a sociedade em seus protestos.
Agora, quem escolhe o que e o como é publicado na mídia? O Promotor de Justiça, mais ou menos como outros funcionários públicos que prestem informações a mídia, apresenta sua versão, mas é a mídia que decide se publica ou não, o que e como, e não o contrário. Muitos casos relevantes que não traduzem risco aos políticos por não serem atuações repressivas, não recebem a mesma atenção e isso pode alterar a percepção de um leigo e fazê-lo acreditar que aquela é a conduta cotidiana do Ministério Público.
Outro trecho relevante para a crítica: … “O fenômeno do concurseirismo: os novos procuradores e promotores são, em geral, jovens com excelente formação jurídica, mas que são muito exigentes quanto ao que esperam da carreira e reagem com acentuada agressividade quando são frustrados em suas demandas. Estas dizem respeito à remuneração, às vantagens, ao prestígio e ao poder que dele decorre.”
Neste trecho aflora um importante conflito intergeracionais. Não são apenas nos concursos para promotores que passam muitos “jovens”. Milhares de cargos em comissão de livre nomeação, em Brasília e muitos outros lugares, são ocupados por pessoas igualmente ou até mais jovens. Também foram principalmente os jovens, de corpo ou de alma, que saíram as ruas para protestar. É natural que os jovens sejam exigentes e até agressivos quando frustrados, embora essa reação tenha mais haver com maturidade e não com idade. Mas jovens participativos, opiniativos, exigentes vão formar “adultos” melhores. É o que todos esperamos.
Outro trecho importante: “A disputa pelo poder investigatório, presente na campanha da PEC 37, em última análise é parte dessa competição e não traduz nenhuma preocupação com a eficiência do Estado. Investigar ou não investigar é poder ou não poder expor a governança e a sociedade a riscos e, portanto, é cacifar-se ou não se cacifar para demandas corporativas.” (grifei)
Embora a disputa pelo poder de investigação, para que seja apenas das polícias ou também do ministério público seja sim uma questão corporativa, ela é maior do que isso. Ela tem haver com mais possibilidade de investigação dos inúmeros crimes e da corrupção que prejudica o país. Mas a investigação é o poder de proteger e não de expor a sociedade e a governança desta mesma sociedade a riscos. A investigação descobrirá os fatos e os responsáveis pelas condutas antisociais e criminosas que prejudiquem a sociedade. De fato, os recursos aplicados, a colaboração e os resultados das investigações devem ser constantemente melhorados e disso não tratou a PEC 37, que apenas impedia o Ministério Público de investigar. Essa é uma das bandeiras muito relevantes. Assim, como a da “...organização do sistema de ganhos na administração pública para lhe conferir maior eficiência.” também levantada pelo autor do texto.
As atuais manifestações e protestos surpreenderam a muitos, nas redes sociais e nas ruas. Surge naturalmente uma vontade de tentar explicá-las e já temos várias análises. Esta, visa debater com a análise feita pelo texto “Derrota da PEC 37: a apropriação corporativa das manifestações de rua no Brasil”. A ideia geral é apresentada de plano: “O movimento das ruas se deixou apropriar por um dos lados do conflito corporativo. Deixou-se de cobrar o que realmente importa na investigação criminal: segurança jurídica, respeito aos direitos do investigado e o fim da violência policial e de disputas corporativistas”. Para a melhor compreensão deste texto, vale a leitura daquele primeiro, que você pode encontrar aqui http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/
Interlúdio: Se você quiser ler um bom texto de verdade sobre as motivações dos protestos, leia http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/119566-quotanota-ai-eu-sou-ninguemquot.shtml.
A pergunta é: A sociedade foi enganada ou manipulada em sua livre vontade de protestar ao pedir a rejeição da PEC 37?
Umas das coisas que as análises têm abordado é que falta orientação e direção claros nos protestos. Isso levou comentaristas a dizer que a multidão não tinha foco. Ao que foram respondidos que o que existem são muitos e muitos focos e não ausência de objetivos.
Bom, o argumento do texto é de que essa falta de foco, a impulsividade e os erros das informações nas redes sociais induziram as manifestações a erro. Tendo levado a população a tomar partido numa disputa entre as corporações do Ministério Público e da Polícia e levando-a a esquecer-se de cobrar outras medidas mais efetivas de melhoria da segurança pública.
Qualquer profissional ou pessoa que resolver estudar problemas públicos com atenção e persistência, encontrará milhares deles e centenas de propostas de solução, que em princípio podem funcionar. Sem dúvida, existiam e existem muitas outras coisas importantes que deveriam causar protestos. Por que a sociedade escolheu uma duzia destas em prejuízo do restante? Essas foram as escolhas certas? Essa é uma reflexão importante, mas é prematuro afirmar que a percepção ou modo de escolha estão errados.
O que quero abordar é principalmente a análise feita sobre o Ministério Público e também tratar um pouco de sua relação com a Polícia. Ao fazê-la, não tenho como me afastar muito da minha experiência de fazer parte do Ministério Público Federal há quase 10 anos. Mas também não a posso tomar como a realidade de todo o Ministério Público Federal ou dos demais Ministérios Públicos. A vida é muito maior que nossas pequenas experiências e visões pessoais e conclusões genéricas acabam sempre sujeitas a revisões.
O texto que estamos analisando tem vários diagnósticos interessantes. Mas quero analisar alguns dos quais eu discordei mais.
O primeiro trecho é “...Mas promove por vezes seleção do caso persecutório, dando preferência ao que lhe ofereça maior exposição midiática e ao que traduza maior risco para atores da política e da economia...”.
Isso é algo que eu tenho ouvido eventualmente por ali ou por aqui, mas não corresponde a minha experiência como promotor de justiça no âmbito federal. A expressão “por vezes” é muito vaga para se ter uma noção firme. Quantas vezes, em quais casos e quantos casos esses representam do total de investigações? Esse é um número que um comentarista externo teria dificuldade de obter, mas comentários de um Corregedor-geral do Ministério Público sempre podem vir acompanhados de estudos, números e documentos técnicos que se sobreponham em qualidade a informações como as que teriam em tese induzido a erro a sociedade em seus protestos.
Agora, quem escolhe o que e o como é publicado na mídia? O Promotor de Justiça, mais ou menos como outros funcionários públicos que prestem informações a mídia, apresenta sua versão, mas é a mídia que decide se publica ou não, o que e como, e não o contrário. Muitos casos relevantes que não traduzem risco aos políticos por não serem atuações repressivas, não recebem a mesma atenção e isso pode alterar a percepção de um leigo e fazê-lo acreditar que aquela é a conduta cotidiana do Ministério Público.
Outro trecho relevante para a crítica: … “O fenômeno do concurseirismo: os novos procuradores e promotores são, em geral, jovens com excelente formação jurídica, mas que são muito exigentes quanto ao que esperam da carreira e reagem com acentuada agressividade quando são frustrados em suas demandas. Estas dizem respeito à remuneração, às vantagens, ao prestígio e ao poder que dele decorre.”
Neste trecho aflora um importante conflito intergeracionais. Não são apenas nos concursos para promotores que passam muitos “jovens”. Milhares de cargos em comissão de livre nomeação, em Brasília e muitos outros lugares, são ocupados por pessoas igualmente ou até mais jovens. Também foram principalmente os jovens, de corpo ou de alma, que saíram as ruas para protestar. É natural que os jovens sejam exigentes e até agressivos quando frustrados, embora essa reação tenha mais haver com maturidade e não com idade. Mas jovens participativos, opiniativos, exigentes vão formar “adultos” melhores. É o que todos esperamos.
Outro trecho importante: “A disputa pelo poder investigatório, presente na campanha da PEC 37, em última análise é parte dessa competição e não traduz nenhuma preocupação com a eficiência do Estado. Investigar ou não investigar é poder ou não poder expor a governança e a sociedade a riscos e, portanto, é cacifar-se ou não se cacifar para demandas corporativas.” (grifei)
Embora a disputa pelo poder de investigação, para que seja apenas das polícias ou também do ministério público seja sim uma questão corporativa, ela é maior do que isso. Ela tem haver com mais possibilidade de investigação dos inúmeros crimes e da corrupção que prejudica o país. Mas a investigação é o poder de proteger e não de expor a sociedade e a governança desta mesma sociedade a riscos. A investigação descobrirá os fatos e os responsáveis pelas condutas antisociais e criminosas que prejudiquem a sociedade. De fato, os recursos aplicados, a colaboração e os resultados das investigações devem ser constantemente melhorados e disso não tratou a PEC 37, que apenas impedia o Ministério Público de investigar. Essa é uma das bandeiras muito relevantes. Assim, como a da “...organização do sistema de ganhos na administração pública para lhe conferir maior eficiência.” também levantada pelo autor do texto.
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verdade
domingo, 26 de maio de 2013
- Você olhou? - Eu olhei.
1o Ato: Alvorada.
Olhei sem pretensão,
Olhei com curiosidade,
Olhei com cobiça,
Olhei com paixão,
Olhei com receio,
Olhei com surpresa: por que natimorto?
2o Ato: Penumbra.
Olhei para longe,
Olhei novamente,
Olhei com desejo,
Olhei com distância,
Olhei com dúvida,
Olhei crédulo da ressurreição.
3o Ato: Aurora.
Olhei os desacertos,
Olhei o acolhimento,
Olhei o lar, e,
Olhei em paz,
Olhei o futuro,
Olhei sem ver.
4o Ato: Crepúsculo.
Olhei com tristeza,
Olhei a procura de explicações,
Olhei por culpados,
Olhei com saudade,
Olhei com gratidão,
Depois não olhei mais.
Olhei sem pretensão,
Olhei com curiosidade,
Olhei com cobiça,
Olhei com paixão,
Olhei com receio,
Olhei com surpresa: por que natimorto?
2o Ato: Penumbra.
Olhei para longe,
Olhei novamente,
Olhei com desejo,
Olhei com distância,
Olhei com dúvida,
Olhei crédulo da ressurreição.
3o Ato: Aurora.
Olhei os desacertos,
Olhei o acolhimento,
Olhei o lar, e,
Olhei em paz,
Olhei o futuro,
Olhei sem ver.
4o Ato: Crepúsculo.
Olhei com tristeza,
Olhei a procura de explicações,
Olhei por culpados,
Olhei com saudade,
Olhei com gratidão,
Depois não olhei mais.
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Coração de princesa, boca de plebéia.
Seguindo o conselho de meus amigos, segue texto apartado e emancipado de sua fonte inspiradora.
Quem gosta de saber onde está pisando, pode tentar adivinhar qual é o filme de referência do texto...
-----
Um mundo dorme, o outro acorda.
Acordei eu, da minha vida enfadonha, para um silencioso pesadelo.
Adeus doce desconforto.
Aqui de fora, olho para nossa casa e vejo você dançando com seus amigos.
Aos 30 anos, me sinto muito só.
Cansei de ser eu.
Dizem que não posso mudar o que sou.
Dizem que as derrotas habituais são mais suportáveis.
Ameaçam: Se você for embora, será para sempre.
Murmuram: Não nos traia, não faça como aquele-você-sabe-quem.
Descubro que com uma chave-mestra posso ter qualquer coisa.
Custe o que custar, eu quero uma dessas.
- Para ganhá-la, tens que trincar o coração de cristal de uma princesa.
EU PRECISO de uma chave-mestra, não me importo com o resto.
- Vivo no submundo mas sou uma princesa de estirpe. Tenho o coração de uma princesa, sirvo?
- Para mim tu és apenas uma pirralha, fofa e imunda.
(Olhos marejados)
(Choro)...
E a chave-mestra finalmente em minhas mãos! Minha jornada terminou?
Não, está apenas começando.
Despeja o escravo sorridente da sala e nela acolhe o bruto desajeitado que se esconde no porão.
Vai, diga mais à tal princesa, diga-lhe 'a verdade'!
Aqui, não gostamos de plebéias metidas a princesa, volte para a favela, feiosa.
Se resolver sair de lá, você deve ficar na cidade.
Desta cidade você não pode sair jamais.
A glória dos livres não é pra você.
Os gostos são muito variados, alguns são especialmente únicos e especiais.
Tu, és capaz de gostares de mim assim desse jeito.
Já o sabes? Como podem os doces amargar tão rápido?
Não quero mais o que queria antes.
Me perdoa?
Nem o doce nem o amargo permanecem.
Nossos passados já podem ser destruídos para que um novo destino nasça.
Toma meu coração, sabes o movimento, faze-o como quem puxa um plug da tomada.
E a partir de hoje nos faremos:
À força,
com coragem,
sorvendo a beleza,
dando amor...
e zoando de nossas finitude e pretensões.
Menina travessa e terrível guerreira!? Quantas camadas...
Uma, fina e impenetrável, para labutar ao sol em teu trabalho nojento,
Outra, de pura branca flor, para usar à noite com teu homem.
Quem gosta de saber onde está pisando, pode tentar adivinhar qual é o filme de referência do texto...
-----
Um mundo dorme, o outro acorda.
Acordei eu, da minha vida enfadonha, para um silencioso pesadelo.
Adeus doce desconforto.
Aqui de fora, olho para nossa casa e vejo você dançando com seus amigos.
Aos 30 anos, me sinto muito só.
Cansei de ser eu.
Dizem que não posso mudar o que sou.
Dizem que as derrotas habituais são mais suportáveis.
Ameaçam: Se você for embora, será para sempre.
Murmuram: Não nos traia, não faça como aquele-você-sabe-quem.
Descubro que com uma chave-mestra posso ter qualquer coisa.
Custe o que custar, eu quero uma dessas.
- Para ganhá-la, tens que trincar o coração de cristal de uma princesa.
EU PRECISO de uma chave-mestra, não me importo com o resto.
- Vivo no submundo mas sou uma princesa de estirpe. Tenho o coração de uma princesa, sirvo?
- Para mim tu és apenas uma pirralha, fofa e imunda.
(Olhos marejados)
(Choro)...
E a chave-mestra finalmente em minhas mãos! Minha jornada terminou?
Não, está apenas começando.
Despeja o escravo sorridente da sala e nela acolhe o bruto desajeitado que se esconde no porão.
Vai, diga mais à tal princesa, diga-lhe 'a verdade'!
Aqui, não gostamos de plebéias metidas a princesa, volte para a favela, feiosa.
Se resolver sair de lá, você deve ficar na cidade.
Desta cidade você não pode sair jamais.
A glória dos livres não é pra você.
Os gostos são muito variados, alguns são especialmente únicos e especiais.
Tu, és capaz de gostares de mim assim desse jeito.
Já o sabes? Como podem os doces amargar tão rápido?
Não quero mais o que queria antes.
Me perdoa?
Nem o doce nem o amargo permanecem.
Nossos passados já podem ser destruídos para que um novo destino nasça.
Toma meu coração, sabes o movimento, faze-o como quem puxa um plug da tomada.
E a partir de hoje nos faremos:
À força,
com coragem,
sorvendo a beleza,
dando amor...
e zoando de nossas finitude e pretensões.
Menina travessa e terrível guerreira!? Quantas camadas...
Uma, fina e impenetrável, para labutar ao sol em teu trabalho nojento,
Outra, de pura branca flor, para usar à noite com teu homem.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Vivia minha vida de preso, pensando estar livre.
Agora vivo minha vida de preso e sou livre.
Talvez tenha sido condenado a viver muitas de minhas encarnações em uma vida só.
E sendo assim, é sempre pouco o tempo que tenho.
E ainda que tenha recebido muito do mundo, achava que era pouco o que recebi dos meus.
Mas muitas vidas para viver em uma só é muito, mesmo para mim. Mesmo para você.
Num mundo que te dá mais do que você pode receber e me pede mais do que eu posso dar.
Uma parte desta minha vida já se foi, as outras, como todas, a cada dia floresce, e se desfaz.
Eu mesmo me consumo num 'como se' fosse. Como se fosse real, como se fosse importante, como se fosse durar, mas se durar, isso já não me pertence mais...
Deixo obras incompletas, que não saberei se são 'esqueletos da Encol' ou sementes.
Deixo porque tenho outras vidas para viver, todas agora, nesta vida, vocês não podem me ajudar nisso.
Para outras encarnações postergo a devolução do amor que recebo nesta, e isto as vezes me imerge numa suave infelicidade.
Mas aos meus, e eles sabe quem são, eu dedico as brechas de meu coração.
Com amor,
Aureo
Agora vivo minha vida de preso e sou livre.
Talvez tenha sido condenado a viver muitas de minhas encarnações em uma vida só.
E sendo assim, é sempre pouco o tempo que tenho.
E ainda que tenha recebido muito do mundo, achava que era pouco o que recebi dos meus.
Mas muitas vidas para viver em uma só é muito, mesmo para mim. Mesmo para você.
Num mundo que te dá mais do que você pode receber e me pede mais do que eu posso dar.
Uma parte desta minha vida já se foi, as outras, como todas, a cada dia floresce, e se desfaz.
Eu mesmo me consumo num 'como se' fosse. Como se fosse real, como se fosse importante, como se fosse durar, mas se durar, isso já não me pertence mais...
Deixo obras incompletas, que não saberei se são 'esqueletos da Encol' ou sementes.
Deixo porque tenho outras vidas para viver, todas agora, nesta vida, vocês não podem me ajudar nisso.
Para outras encarnações postergo a devolução do amor que recebo nesta, e isto as vezes me imerge numa suave infelicidade.
Mas aos meus, e eles sabe quem são, eu dedico as brechas de meu coração.
Com amor,
Aureo
quarta-feira, 13 de julho de 2011
IGray
Passo a desenvolver novos índices interessantes, a partir da expansão da ideia do IBOV (índice bovespa).
IGray: é o índice Dorian Gray de uma pessoa. Dorian Gray é o protagonista do romance "O retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde.
Nele um belo e inocente rapaz consegue, por meio obscuro, livrar-se de toda a feiúra e imoralidade que poderia lhe marcar a partir de suas práticas espúrias e continuar mostrando-se impecavelmente são em público, no seu dia-a-dia, enquanto o seu lado mau, humano e mesmo pútrido é mantido escondido das pessoas, de todas ou em geral, e sempre ou na maioria dos momentos.
Assim, quando alguém nos surpreende com um comportamento selvagem, primitivo, instintivo e até destrutivo, enquanto que no cotidiano esta pessoa se demonstra exatamente o contrário, dizemos que ela tem um IGray alto, ou seja, assemelha-se ao Dorian Gray ao mostrar a sua pureza e esconder a sujeira.
Todos temos um IGray maior ou menor. Quem é sempre bom e justo, pode, embora não necessariamente, indicar que "está escondendo sua alma sangrenta no sótão". é uma possibilidade do IGray.
Quem mostra em um momento uma explosão de instinto, permite um cálculo melhor do IGray ao permitir a comparação daquilo com o que a pessoa demonstra normalmente.
IGray baixo é uma face que é coerente em intensidade e em suas variações, de forma que estas não surpreendem em constraste com a personalidade normal, mas se harmonizam ou mesmo a reafirmam.
IGray: é o índice Dorian Gray de uma pessoa. Dorian Gray é o protagonista do romance "O retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde.
Nele um belo e inocente rapaz consegue, por meio obscuro, livrar-se de toda a feiúra e imoralidade que poderia lhe marcar a partir de suas práticas espúrias e continuar mostrando-se impecavelmente são em público, no seu dia-a-dia, enquanto o seu lado mau, humano e mesmo pútrido é mantido escondido das pessoas, de todas ou em geral, e sempre ou na maioria dos momentos.
Assim, quando alguém nos surpreende com um comportamento selvagem, primitivo, instintivo e até destrutivo, enquanto que no cotidiano esta pessoa se demonstra exatamente o contrário, dizemos que ela tem um IGray alto, ou seja, assemelha-se ao Dorian Gray ao mostrar a sua pureza e esconder a sujeira.
Todos temos um IGray maior ou menor. Quem é sempre bom e justo, pode, embora não necessariamente, indicar que "está escondendo sua alma sangrenta no sótão". é uma possibilidade do IGray.
Quem mostra em um momento uma explosão de instinto, permite um cálculo melhor do IGray ao permitir a comparação daquilo com o que a pessoa demonstra normalmente.
IGray baixo é uma face que é coerente em intensidade e em suas variações, de forma que estas não surpreendem em constraste com a personalidade normal, mas se harmonizam ou mesmo a reafirmam.
domingo, 6 de março de 2011
Juízes, promotores e salários.
Se diz que quem sabe cozinhar carenguejo, os cozinha vivos numa panela sem tampa. Os bichos não fogem porque embora vão eles subindo um em cima do outro e um quase alcance a borda, quando ele iria sair, os outros o puxam, para se elevar, e assim vão todos para o fundo da panela.
Nessa discussão de salário entre funcionários públicos de carreira, o caranguejo que está (temporariamente) em cima é puxado para baixo pelos que querem subir. os que estão melhor querem se afastar da multidão, os que estão mal querem se enganchar nos que estão acima. enfim, uma regulação econômica básica de disparidades.
Nessa discussão de salário entre funcionários públicos de carreira, o caranguejo que está (temporariamente) em cima é puxado para baixo pelos que querem subir. os que estão melhor querem se afastar da multidão, os que estão mal querem se enganchar nos que estão acima. enfim, uma regulação econômica básica de disparidades.
Porque a realidade objetiva decorre do subjetivo, e não o contrário (relaxa, é apenas um contraponto cíclico!)
1. O que vejo em mim, vejo lá fora (projeção).
2. A partir deste jeito que percebo o mundo, é que defino como me comporto com ele.
3. As pessoas então, se comportam, em uma certa medida, reagindo a minhas ações, agindo comigo este conjunto de pessoas - o mundo - como eu agi com ele (é aqui que dizemos que nosso comportamento é baseado na realidade objetiva externa...)
4. Enfim, o que fiz baseado no que vi no mundo, é o que fiz baseado no que vejo em mim.
5. Solução: nosce te ipsum.
2. A partir deste jeito que percebo o mundo, é que defino como me comporto com ele.
3. As pessoas então, se comportam, em uma certa medida, reagindo a minhas ações, agindo comigo este conjunto de pessoas - o mundo - como eu agi com ele (é aqui que dizemos que nosso comportamento é baseado na realidade objetiva externa...)
4. Enfim, o que fiz baseado no que vi no mundo, é o que fiz baseado no que vejo em mim.
5. Solução: nosce te ipsum.
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vida
domingo, 5 de dezembro de 2010
Antigamente "a Lei funcionava" mas doía demais...
SENTENÇA JUDICIAL DATADA DE 1833 - PROVÍNCIA DE SERGIPE
O adjunto de promotor público, representa contra o cabra Manoel Duda, porque
no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento
ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava em uma moita
de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria
para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito
cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della
de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimonio porque ella gritou
e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam
o cujo
em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer
naufrágio do sucesso faz prova.
CONSIDERO:
QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com
ella e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar,porque
casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana; QUE o cabra Manoel
Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas
vizinhas, tanto que quis também fazer conxambranas com a Quitéria
e Clarinha, moças donzellas; QUE Manoel Duda é um sujetio perigoso e que
se não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo
medo até nos homens.
CONDENO:
O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser
CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE.A execução desta peça deverá
ser feita na cadeia desta Villa.Nomeio carrasco o carcereiro. Cumpra-se
e apreguem-se editais nos lugares públicos.
Manoel Fernandes dos Santos.
Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha Sergipe,
15 de Outubro de 1833
O adjunto de promotor público, representa contra o cabra Manoel Duda, porque
no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento
ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava em uma moita
de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria
para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito
cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della
de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimonio porque ella gritou
e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam
o cujo
em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer
naufrágio do sucesso faz prova.
CONSIDERO:
QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com
ella e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar,porque
casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana; QUE o cabra Manoel
Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas
vizinhas, tanto que quis também fazer conxambranas com a Quitéria
e Clarinha, moças donzellas; QUE Manoel Duda é um sujetio perigoso e que
se não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo
medo até nos homens.
CONDENO:
O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser
CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE.A execução desta peça deverá
ser feita na cadeia desta Villa.Nomeio carrasco o carcereiro. Cumpra-se
e apreguem-se editais nos lugares públicos.
Manoel Fernandes dos Santos.
Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha Sergipe,
15 de Outubro de 1833
Marcadores:
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direito,
no porão...,
perdoar,
realidade,
reciprocidade,
segurança pública,
selvagem,
sexo,
sociedade,
trágico
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
A muralha da beleza

Por que a beleza de Monica a incomoda tanto? Depois de ter feito dois filmes onde aborda a violência que a (sua) beleza provoca, tendo sido (sua personagem) humilhada em “Malena” e, outra, estuprada durante 15' em “Irreversível”, ela diz em entrevista, ter ficado tentada com uma proposta de filmar um pornô Cult (embora o diretor que propôs seja famoso e reconhecido, a reportagem grafava “Cult”, assim mesmo, com aspas, entenderam, né, o que eles quiseram dizer...).
A Bela agora provoca o malditoso e leproso (porque assim que a Sociedade que consome os filmes trata quem lida com eles) cinema pornô. Quer provocar porque diz que quer fazer o filme em vez de filmar e “ter a fita roubada” como fizeram várias personalidades femininas da atualidade para ficar (mais) famosas.
Monica enfim, parece que suplica, exige, desesperadamente, que a vejam como ela é, para além de sua cegante beleza. Busca o ódio porque lhe parece o sentimento mais humanizador que poderiam ter por ela. Mais do que a adoração e reverência que sua beleza lhe traz.
Eu adaptaria para ela o que o personagem de Robin Willians diz para o de Matt Damon em “Gênio Indomável”: Voce não tem culpa; VOCE não tem culpa, VOCE NÃO tem culpa, VOCE NÃO TEM culpa, VOCE NÃO TEM CULPA DA SUA BELEZA.
Enfim, hip hip hurra, a essa maravilhosa - em tantos sentidos: MULHER.
A Bela agora provoca o malditoso e leproso (porque assim que a Sociedade que consome os filmes trata quem lida com eles) cinema pornô. Quer provocar porque diz que quer fazer o filme em vez de filmar e “ter a fita roubada” como fizeram várias personalidades femininas da atualidade para ficar (mais) famosas.
Monica enfim, parece que suplica, exige, desesperadamente, que a vejam como ela é, para além de sua cegante beleza. Busca o ódio porque lhe parece o sentimento mais humanizador que poderiam ter por ela. Mais do que a adoração e reverência que sua beleza lhe traz.
Eu adaptaria para ela o que o personagem de Robin Willians diz para o de Matt Damon em “Gênio Indomável”: Voce não tem culpa; VOCE não tem culpa, VOCE NÃO tem culpa, VOCE NÃO TEM culpa, VOCE NÃO TEM CULPA DA SUA BELEZA.
Enfim, hip hip hurra, a essa maravilhosa - em tantos sentidos: MULHER.
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