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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A marca

sexo casual.

controle da raiva. socar, desfigurar, somos todos capazes.

às vezes eu caminho pela noite, chamando um algoz para uma nova experiência.

acho que ele dormia com qualquer uma que aparecesse. carnes nobres.

sangue: examinando, dá para saber se as pessoas são boas?

essa beleza despretensiosa, esguia e perigosa.

ô seu filho da puta. quem te deu esta liberdade?

às vezes a gente se excede! Me escute: somos levados.

a luz vermelha - aura de sangue - esconde a sombra que me persegue em meus sonhos.

quem fere mais? o ferro ou a beleza?

vai brigar comigo? o que que eu fiz?

parceiros falam a verdade um para o outro.

e às vezes propõem um brinde que o outro não pediu.

algumas mulheres são a personificação da desonra. Parece que todos a conhecem.

confiar... todo mundo tem mais inimigos do que pensa.

a gente esquece e acaba fazendo coisas que sabe que não deveria fazer.

e procura num copo aquilo que a carne não consegue encontrar. azar no amor.

mas, sabe, a beleza não é a mesma, quando desfalecida no chão.

foi íntimo? foi.

foi íntimo? eu não sei.

você cometeu um crime que requer uma forma de justiça muito especial.

e tudo acaba num quarto vazio.

até mais tarde, estranha.

vamos começar de novo?

tem um tipo de passado que é o pior deles. te visita de quando em quando, sem te avisar, implacável. te leva quando e como quer.

quando falamos de nossos pais, estamos falando de nossa origem. seus pais tinham esse mesmo ódio.

agora as coisas estão fazendo sentido. estão sendo conduzidas, por um cara muito competente, por um zeloso psicopata. e ele te diz: ainda tem um teste que você tem que passar:

teste!

Baseado no filme 'A marca' (Twisted - 2004):








terça-feira, 2 de outubro de 2012

Delícia de trailler

A beleza do cinema... inclusive  num trailler...




quinta-feira, 3 de maio de 2012

Conhecendo a floresta - Parte I

Num belo dia eu a vi como nunca mais veria. Tudo começou quando, corajosa e despretensiosamente, eu me afastei do centro da cidade, onde morava, e caminhando, e pensando, num liiiiiindo dia de sol, fui dar nos arredores da cidade.

Foi sentado num café, quando as leituras já não me distraiam, que levantei lentamente meus olhos e a vi, a  mulher mais bela que eu havia visto neste mundo. Ela estava parada a minha frente, a uma certa distância, mas a sua presença era tão extensa que mesmo a essa distância me chegava o seu cheiro. Eu nunca havia sentido nada igual, não se tratava de um bom perfume qualquer, mas era o odor natural de uma virgindade, inconfundível, que não fazia sentido algum em estar ali, naquela parte da cidade.

O sol a iluminava toda. E eram tão perfeitas, sinuosas e harmônicas as suas partes, que eu só sabia que ela as tinha por obra intelectual, pois olhando para ela, dessa vez eu não via partes. Juro que mal vi os mais maravilhosos seios e o templo da bunda com os quais a mãe natureza havia presenteado esta filha, porque ela toda, transcendia o meu olhar comum.

Nesse dia, de nosso primeiro encontro, o irmão vento se divertia junto com seu resplandescente irmão mais velho. Assoprava-a por todos os lados. Ao redor do seu corpo, dava voltas, em suas copas buscava, sem sucesso, embaralhar-lhe os cabelos crespos e viçosos e quando soprava por baixo, me inebriava com o cheiro de terra fresca, fértil.

Não me era permitido ficar indiferente a ela. Desta vez não tive que me esforçar para fazer ou não fazer algo. Simplesmente me levantei e, a passos lentos me dirigi decididamente a ela. Lembro que demorei a chegar. Foi aí que percebi que era a sua imponente que a fazia parecer próxima, enquanto distante. Assim, nesse primeiro dia, não a alcancei, embora tenha me apresentado. Ela, com esse jeito próximo-distante, me faz caminhar muito mais do que eu desejava, mas também tornou suave o que era uma caminhada íngreme.

Meu desejo era voltar a ela muitas vezes. Sentencie-me a esse destino incerto com a maior das alegrias. Não contei a ela sobre meus propósitos para que ela não me tivesse já por seu. Mas ao tocá-la enquanto me despedia, senti-a impassivelmente sabendo o que se passava comigo.

...

(Continua...em algum ditoso dia futuro!)

domingo, 17 de julho de 2011

Quem sou eu?

Tinha muitas posses e milhares de servos se devotavam a mim. Três destes eram minhas filhas e estas sempre usufruíram dos benefícios de minha posição. Também me amavam, cada uma do seu jeito. Mas como eu precisava ouvir o juramento solene deste amor, perante todos e válido por toda eternidade, lhes pedi a jura de amor mais pura e intensa que uma filha pode fazer a um pai. De uma delas, ingrata, não as recebi, senão como migalhas duvidosas e a tal afronta paguei deserdando a esta que tão acintosamente se mostrava bastarda de mim. Consumi a minha vida e a paz de minha`lma para ao final chegar ao lugar do qual eu nunca deveria ter saído, à insegurança daquele que ama e é amado sem garantias.

Perguntas: Que personagem da literatura eu sou? Ó leitor atento, trocas de lugar comigo, ignorando a pouca diferença entre a infelicidade revelada e a que está constantemente por se revelar?
Manuela vivia feliz com Charles e desde que o havia conhecido não se detinha em mais nenhum aconchego que não fosse o do seu amante. Em seu peito encontrava não apenas a fortaleza em que descansava mas a companhia que a fazia sentir-se sempre segura e preservada do perverso e sórdido mundo sobre o qual havia sido advertida de que estaria a sua espreita se ousasse sair lá fora sem a proteção de seu amor, companheiro, amo e benfeitor, Charles.

Embalada em sua proteção, em seu colo, passavam-se os dias como se não houvessem passado. Todos os seus desejos eram atendidos e as suas vontades satisfeitas. Era como se ela fosse uma pequena e frágil ave que repousava na mão de seu dono e nesta mão encontrava abrigo. Por vezes a cutucava até que adquirisse a posição que mais lhe agradava, em forma de conchinha, e quando conseguia, se aconchegava como uma menina-mulher.

é verdade que acabava por ter sonhos estranhos quando dormia assim, certa noite estava deste jeito quando os dedos da mão carinhosa começaram a se mexer de forma contínua, ritmada e estranha. era como se dançassem. a mão também mostrava uma alteração de personalidade e passava a envolvê-la de uma forma mais sinuosa e rude. Os dedos pareciam, enfim, antagonistas de uma alucinação grotesca e lhe subiam pelas pernas, ora brincalhões, ora gosmentos com lesmas e em movimentos pulsantes como aqueles que usam as minhocas.

é um sonho, certo? Manuela não reconhece mais nessa mão o seu Charles protetor. parece que ele se foi e deixou em seu lugar um empregado que pretende lhe usurpar o que de mais puro tem o patrão. Manuela quer acordar, sabe que é um sonho e começa a sentir vertigens nessa mão rodopiante, quase psicodélica, cujos dedos a exploram.

Esses movimentos são acompanhados de um líquido morno no qual ela poderia se abandonar a boiar, aberta como uma flor recém caída. Eram cinco dedos, e ela, exausta, sentia como se não tivesse mais forças para lhes resistir: que lhe fizessem então o que melhor lhes aprouvesse, pois não poderia abandonar mais aquela mão que um dia foi a extensão de seu amado e que hoje era o berço de seus prazeres ambivalentes. Havia de ceder, de entregar-se, enfim, entregar aquilo que eles, dela já haviam obtido, por força ou destreza, há muito tempo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

IGray

Passo a desenvolver novos índices interessantes, a partir da expansão da ideia do IBOV (índice bovespa).

IGray: é o índice Dorian Gray de uma pessoa. Dorian Gray é o protagonista do romance "O retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde.

Nele um belo e inocente rapaz consegue, por meio obscuro, livrar-se de toda a feiúra e imoralidade que poderia lhe marcar a partir de suas práticas espúrias e continuar mostrando-se impecavelmente são em público, no seu dia-a-dia, enquanto o seu lado mau, humano e mesmo pútrido é mantido escondido das pessoas, de todas ou em geral, e sempre ou na maioria dos momentos.

Assim, quando alguém nos surpreende com um comportamento selvagem, primitivo, instintivo e até destrutivo, enquanto que no cotidiano esta pessoa se demonstra exatamente o contrário, dizemos que ela tem um IGray alto, ou seja, assemelha-se ao Dorian Gray ao mostrar a sua pureza e esconder a sujeira.

Todos temos um IGray maior ou menor. Quem é sempre bom e justo, pode, embora não necessariamente, indicar que "está escondendo sua alma sangrenta no sótão". é uma possibilidade do IGray.

Quem mostra em um momento uma explosão de instinto, permite um cálculo melhor do IGray ao permitir a comparação daquilo com o que a pessoa demonstra normalmente.

IGray baixo é uma face que é coerente em intensidade e em suas variações, de forma que estas não surpreendem em constraste com a personalidade normal, mas se harmonizam ou mesmo a reafirmam.

domingo, 6 de março de 2011

Chega o momento em que a ausência do Nada transborda.

(N.E.M. é de uma figura que fica guardando as coisas que iscreve porque é muito perfeccionista...)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A mulher, o Mal e a Civilização.

Na mulher sempre se encarnam os mistérios perturbadores da natureza; os mistérios que evocavam O Desconhecido. O desconhecido não nos permite controla-lo, nos supreende, nos submete, e para nós, simples mortais, o desconhecido é o mal.

A natureza é o caos imprevisível se não acreditamos numa ordem divina e bondosa que a ordena. A natureza da vida na Terra é o mal. A mulher é a encarnação da natureza e a encarnação do mal. Lógicas como essa fazem par com a obra 'O martelo das feiticeiras'.

E a humanidade consegue se libertar desse domínio quando se liberta da natureza, quando dá forma e ordem ao caos, quando separa espírito de matéria e mente de corpo. Essa foi a época de ouro da humanidade, a época da Razão. Afundada depois na lama, por duas guerras mundiais e muito mais.

As mulheres que resistiram à essa nova ordem, à separação e à negação da natureza, foram chamadas de bruxas.

As que adotaram, ou aparentavam adotar, as leis morais, foram chamadas de nobres, belas.

E as que renegaram completamente sua natureza, o mal-dito mal, e se dedicaram ao invisível e ao espiritual e ao não material, inclusive com a caridade, foram chamadas de santas.

Hoje, cada vez mais, simplesmente mulheres. melhor assim