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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Inimigo Pedro

Pedro emagrecia,
Com as noites mal dormidas,
Fechava os olhos e lhe aparecia,
Uma caverna parricida.

Logo ele?
Ex-atleta, cuidadoso, assim envergonhado,
Olhos fechados, susto danado,
Sua boca encardida e fétida,

Filas de dentes,
Caçadores, coletores,
Amarelados, deteriorados,
Decompostos, desregrados,

Acordava num sobressalto,
Corria para o espelho, se acalmava,
Brilhavam lá seus dentes cultivados,
Frutos da genética, bem higienizados,

Quando se cerravam as cortinas, contudo,
Soprava o hálito da morte,
E de tanto repetir-se a cena,
Começou a duvidar do espelho,

E a examinar,
Tão minuciosamente,
E por tanto tempo,
Os próprios dentes,

Que finalmente viu,
Bem acordado,
Bem ali,
O mal, o tártaro, o noturno visitante,

Não o tártaro dos dentistas,
Sim o tártaro dos deuses,
Onde os fortes morrem esquecidos,
Onde as amizades esmaecem,

Onde habitam as esperanças cansadas,
Os amores que não vieram,
Os amores que já se foram,
A velha criança desenganada.

Refletia-se,
Chorava, ria,
Dava adeus,
Dava a pedro,

Esperavam-no,
Sem saber,
Com paixão,
Foi-se.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Realista ou pessimista?

No meio da dor de Jacira corria um rio,
De águas lentas, frias e escuras.

- Pedro, fico surpresa que você tenha vindo.
- É bom ver os ares renovados. Agora há liberdade...
- Não desrespeite a memória de seu finado avô. É só o que me resta.
- Vejo que as paredes desta casa têm contas a acertar contigo. Boa sorte ;)

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Preso nos dentes do riso Beti, o que ainda não nasceu se manifesta,
A pureza, a inocência, a intensidade e a ignorância do que a espera.

- Te desafio, liberte-me e me possua ao mesmo tempo.
- Não sabes o que dizes. Buscas no lugar errado o que não te cabe.
- Sei que não podes dar o que não possuis. Mas também não possuo o que dou.
- Seca a fonte, não haverá sede ou saciedade, só terás lembranças.

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Escolhe:
Palavras pobres em um coração de ouro,
Ou palavras de ouro e o hálito da morte?

- Não posso te ajudar agora, estou ocupado.
- Você não se preocupa comigo, só eu que te amo e cuido de ti,
- Ponho o pão em casa, te dei um filho e te faço mulher. Não tens do que reclamar.
- Eu oro pela tua alma e pela purificação de teu corpo. Que a luz divina te fulmine no coração.

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Paulo só viveu. Um relógio de ferro. E casa. E trabalho,
Não teve um só dia que deixou de ouvir um 'boa noite' antes de dormir,
Otávio viveu só. Sim, teve paixões desenfreadas que o levaram a ruína,
Ao fim, duvidava de sua coragem como alguém duvida de sua inconsciência.

- Meu amigo... tive de dormir fora de casa. Mariana pôs fogo em minha cama e lençóis.
- Se tu tivesses uma Amália como eu, Otávio, o fogo seria apenas para esquentar tua sopa à noite.
- Há quantos meses ela não te dá? Já te acostumaste?
- Hummm... Acho que está sendo mais fácil para mim do que foi para ti, quando ela me escolheu.

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Miguel? Foi forjado. Tal qual espada, entre o calor do amor e o gélido ódio,
Mas quanto mais afiada ficava essa espada, mais o couro a continha,
Maria, improvável adolescente, retirou-a da bainha. Cintilou no ar seu aço puro,
Que foi imediatamente destruído por um feitiço lunar: 'Toma Lá Teu Destino, Dá Cá Teu Coração'.

- Há tanto tempo me esperas, e logo agora eu te falto?
- Não esperava muito de ti, dessa tua pureza que não lutou batalhas.
- Mas eu esperava a tua mão, para que ela nos conduzisse à floresta encantada.
- Besteira. Não há mais floresta, não há mais encanto, não há mais espera.

domingo, 26 de maio de 2013

- Você olhou? - Eu olhei.

1o Ato: Alvorada.

Olhei sem pretensão,
Olhei com curiosidade,
Olhei com cobiça,
Olhei com paixão,
Olhei com receio,
Olhei com surpresa: por que natimorto?

2o Ato: Penumbra.

Olhei para longe,
Olhei novamente,
Olhei com desejo,
Olhei com distância,
Olhei com dúvida,
Olhei crédulo da ressurreição.

3o Ato: Aurora.

Olhei os desacertos,
Olhei o acolhimento,
Olhei o lar, e,
Olhei em paz,
Olhei o futuro,
Olhei sem ver.

4o Ato: Crepúsculo.

Olhei com tristeza,
Olhei a procura de explicações,
Olhei por culpados,
Olhei com saudade,
Olhei com gratidão,
Depois não olhei mais.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O ciclo.

Pauline é jovem.
Em seus ouvidos, promessas.
Em sua mente, poder.
Em seus olhos, sonhos.
Seu corpo é belo e forte.
E seus pensamentos são ágeis.

Mas Pauline também é Pedro. É Pauline-Pedro.
Eles moram e dançam juntos todo dia.

Há todavia um conflito.

Pedro quer viver acima. Ele é firme, claro em seus propósitos, usa a razão e almeja a transcendência.

Pauline quer viver abaixo. Ela emociona-se, flui, é obscura e lhe apetecem as necessidades. Acredita que daqui a 20 anos estará só, fazendo seus próprios movimentos. A sua outra metade terá sumido.

- Dancemos por amor e misturemos tudo, Pedro. Amor e dor, beleza, sofrimento e solidão.
- Dancemos até que o amor acabe. Acho que vou contar até 5.

5
4
3
2
1

Pedro-Pauline imergem.
.................................................................................................................................

Era uma vez, num reino muito, muito distante...

Quando Pedro ainda não era Pedro-Pauline e não era nem mesmo Pedro, apenas fluía no mar.

Veio então esta forma que chamamos de corpo e o diferenciou.

E passou a existir Pedro, que corria como o cão e usava uma coleira que era só sua. Não se perguntava por que a usava, nem se podia parti-la. Cria que seu destino o esperava, mas rodeava resoluto sem ir aos confins onde ficava aquilo sei lá o que que desejava.

O tempo passou e o discurso do  "nunca irei lá" passou a ser intercalado com o ato mais belo de ficar amarrado a beira de uma corda, com o corpo alongado como uma espada que todavia não desfere no mundo o golpe fatal de que é capaz. Ocupava um ângulo ruim de visão e não via quem havia partido e agora passeava lá fora com flores. Até a noite em que teve um sonho.

Tentavam enterrar viva sua irmã, mas ela continuava a dançar e não parava nem quando lhe entrava terra pela boca. Ela dançava por amor, e deixava um rastro, fazia um eco, pintava um retrato único e o assinava E dizia: Dance voce também!

No dia seguinte, Pauline aconteceu a Pedro.

Mas muito antes disso, num outro reino distante, Pauline não era ainda Pauline...

Havia recebido um belo corpo e com ele flutuava em águas profundas e turvas, e para amar, tentava fazer curvas. Todo dia ela fazia tudo igual, e variava entre a inconsciência e um tédio mortal. Não havia beleza, e para piorar, ela tinha finalmente cansado dos mimos  - jóias, roupas, viagens - que caíam a seus pés.

À noite, quando fechava os olhos, sonhava o doce canto de Sua confortável vida e renegava essa amante espúria, gasta e inconstante que é a Vida.

Numa segunda-feira, passeando por um sinuoso e pouco frequentado caminho do parque, Pauline tropeçou em Pedro. E não levantou mais.

...............................

Emerge Pedro.
Emerge Pauline.

Projetam-se no ar.
Artérias límpidas de uma natureza forte.
O ar pouco lhes resiste.
Assim, pois, avançam.

Mas logo à frente uma rocha fria e insuperável os espera.
Que importa, se agora todos são, cantam, dançam e estão livres?
Será uma linda explosão.
E Pauline espalhará seus corpúsculos aquáticos por sobre todos a quem tocou.

Pedro também fará do mesmo modo.
E muito outros, milhares e milhões.
Milhares de almas se esfacelando em seu gozo final, a cada expiração.
Guiadas pelas mesmas forças que as criaram.
Fazem radiante e sublime espetáculo.

Inspira, e a água aglutina-se, escorre e retorna à fonte.
Expira, e a água desintegra-se, borrifa e retorna da Fonte.



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Requiém para um sonho.

Montagem no youtube com cenas do filme Requiém para um sonho.

Sensações e sentimentos fortes e incômodos, taquicardia etc. não assista!



segunda-feira, 12 de novembro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Rejuvelhecer.

Acidente. Maldição. Surpresa. Horror.

Esse meu futuro que já nasce querendo morrer, eu renego.

No meu último passo de marido, levanto os olhos à frente, e eles estão cegos para o amor.

Meus ouvidos também não te suportam,  arquiinimigo inesperado da minha vida.

PRECISO CALAR-TE.

Dei meu primeiro passo de peregrino e já não há lugar para ti no meu mundo.

Te aconselho viver numa caixa de sapatos, trabalhar, receber alguns trocados e deixar que as pessoas tropecem em você.

...

Ora, levante-se, e pare de agir como um velho.

Eu sou velho. Vivo no meio de velhos, me vejo, penso e sinto como um velho.

Por que você está enganando todo mundo assim?

O que há de errado comigo? Estou dando um adeus silencioso demais a você!

Crescer é uma coisa esquisita, escapa da gente. A gente espera do mundo, e o mundo espera de nós.

E prepare-se para o amor, quebrar regras, presentear promessas, desapontar, envergonhar-se, rir e chorar, e fazer tudo isso de novo.

O universo é um hotel no qual vivemos vidas paralelas.

À beira da piscina, sob as estrelas, sou teu namorado apaixonado que te faz companhia enquanto dizes do teu dia e dos teus sonhos.

Num dos quartos, sou teu amante, e estamos jantando. E à mesa te digo para não devorar tudo, porque, quando acabar o amor, só servirá bem a guerra.

E no andar de cima, entrei no quarto errado e, envolto numa fina ausência de lembranças, você que era minha mulher, agora é minha mãe. Paira no ar, embalada num incesto, a saudade de ter amado uma vez.

Receba um abraço apertado de quem você gosta!

Às vezes você troca muita coisa por nada. Mas é porque você queria tudo.

Nunca se sabe o que está reservado para você.

Certas pessoas estão aqui mesmo para o que der e vier; mas o corpo e a alma têm de estar marcados, para isso acontecer.

Podemos estar incomodados pelo jeito que as coisas aconteceram, mas quando chegar o fim, é preciso se deixar levar.

Uma tempestade terrível se aproxima, propõe-me trocar o que eu quero pelo que eu devo fazer. Quando passar, vai deixar um ar fresco e cheiro de terra molhada.

Algumas coisas mudam.

Algumas coisas não se esquecem.

Nem um pouco dura.

Boa noite, meu amor.

Boa noite.

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Texto baseado no filme 'O curioso caso de Benjamin Button'. Abaixo o trailler:



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Alguns recusam o empréstimo da vida para evitar o débito da morte

"Alguns recusam o empréstimo da vida para evitar o débito da morte
...
... as pessoas que morrem mais felizes são as que melhor viveram suas vidas. E acredito que isso se deve ao fato de que elas não têm grandes arrependimentos por não ter vivido suas vidas. Afinal não precisam se arrepender de ainda não ter dito as pessoas ao seu redor como as ama, pois já disseram. Não se arrependem de não ter contemplado a beleza da natureza e da vida, pois já a fizeram. Não se arrependem de não ter rido e ter se divertido mais, pois fizeram de suas vidas uma grande alegria. Ou seja, não temem tanto a morte, pois já foram se despedindo de suas vidas aproveitando todas as oportunidades que ela lhe ofereceu. ..."

Texto de Claudia Goellner Signoretti veja em 

http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_33962/artigo_sobre_alguns_recusam_o_emprestimo_da_vida_para_evitar_o_debito_da_morte

domingo, 12 de agosto de 2012

Confissões de um fantasma.

Pensem comigo, um fantasma é uma coisa que não existe. Ou pelo menos não deveria existir. Como ele consegue? É a força de vontade. A força de vontade te permite fazer praticamente qualquer coisa, menos ser... então, ele quase existe... É por isso que ele precisa necessitar de algo, ele precisa de um propósito.

Os fantasmas, nos filmes, são pouco nítidos, mas na vida real são idênticos a uma pessoa de verdade, só por dentro é que são turvos. Foi-se o tempo em que precisavam ser alegóricos, como o homem de lata (O Mágico de Oz), para que os aceitássemos.

Um fantasma é feito principalmente de força de vontade, ou, nas palavras do Agente Smith (Matrix Reloaded): “... Não há como fugir da razão, como negar o propósito...pois, como ambos sabemos, sem propósito, não existiríamos. Foi o propósito que nos criou. O propósito nos conecta. Ele nos impele. Nos guia. Nos motiva. O propósito nos define. O propósito nos une. … “

Fantasmas são assustadores! Quem iria querer topar com um deles, certo? Errado. Tal como os vampiros, fantasmas são sedutores, charmosos, atraentes, poderosos e na maior parte das vezes, bem vestidos. Ou seja, nós é que vamos ao encontro deles, e nos podem dizer: Vieste por tua vontade.

Ele precisa manter vivo o propósito, mas ao alcançar suas metas, ele que consegue tocar as pessoas mas não pode ser tocado, tampouco sacia-se com o prazer que com suavidade ou violência extrai de suas  vítimas. Suas metas são para ele o que o sangue é para os vampiros, e a força de vontade é a sua sede.

Ele alcança os objetivos aos quais se propõe, porque cada um deles constitui a metáfora de sua sobrevivência. Como alguém mergulhado em águas profundas, sente que se expirasse – abrindo mão do controle e deixando que os outros e o mundo sejam a seu modo – não poderia mais respirar, e num instante passaria da sobrevivência em risco a uma agonia aterradora. Não, ele não pode deixar isso acontecer, precisa vencer sempre. Por isso, faz de tudo e faz sempre melhor que os outros.

Demora-se para descobrir que alguém é um fantasma. Ele mesmo costuma ser um dos últimos a saber. Mas quando se percebe assim, um espectro sem vida, é assustador. E pode ser que lhe surja o desejo de ser uma pessoa de verdade. E aí ele finalmente descobre um limite, um desafio que o amedronta, pois uma das coisas que um fantasma não deve fazer é tentar deixar de ser um morto-vivo, pois a dor de uma vida plena pode matá-lo.

Para tentar de verdade, para ser, precisará amar, e isso não se alcança com força de vontade, e sim com a tímida coragem de quem tem tudo a perder e se arrisca assim mesmo. Não mais envolvido pela solidão e protegido por sua beleza de porcelana, o amor o fará sentir o calor do sol percorrer o seu corpo agora humano.

Enfim, um corpo de carne e sangue, mortal, e um belo coração, não mais invencíveis pela força de vontade, que o sustentava pairando no ar - tal qual anjo decaído que não quer decair totalmente.

E como mortal, finalmente será ferido, e morrerá.

E a ironia trágica de ter vivido como um morto – dentre esses tantos sonâmbulos que andam por aí fingindo ser - não será mais relevante, pois,  enquanto os outros reclamam, ele poderá encontrar paz na dor de morrer como um vivo, um pouco a cada dia, sem antecipar as coisas.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Feliz aniversário!

- Pô Zé, feliz aniversário hein!

- Obrigado, meu velho.

- Quantos anos você está fazendo?

- 36.

- Cara, olha só, agora você tem 36 anos...

- Infelizmente não tenho não. Estava lendo Rubem Alves e ele me disse que esses anos aí são os que eu não tenho mais... os que eu tenho são os que não gastei, os que ainda me sobram, mas esses eu não sei quanto são.

- Tá bom, filósofo complicador do c... Você não tem 36, mas guardou 36 anos, pois esses anos que você não tem mais, contém as histórias e tudo o mais que te fez como és. Assim, se não são certos os teus anos futuros, só te restam os passados, ainda que não os tenhas mais...

- Se eu entendi bem, os anos que não tenho, porque já passaram, são os que tenho porque guardei as memórias e os pedaços de mim e dos meus; e os que tenho, para frente, não os tenho porque não é certo que virão, afinal, como já cantou Raulzito 'Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...' Coisa que pode acontecer com os homens mais respeitáveis como Evandro Lins e Silva.

- Eu só queria te dar um feliz aniversário...

- Ué, me deste. Se não tenho os anos que passaram nem os que talvez venham, o que eu tenho? Você me ajudou a ver o que realmente tenho: O Presente. 

- E este agora eu o sinto pulsante em minhas mãos, coração e cabeça, ele viceja e escorre, me alegra e me entristece, me entendia e me estressa. 

Ele me dá a saudade, que é a boa forma de guardar os anos que já se foram;

E a esperança, que é a boa forma de viver os anos que talvez não venham.



quinta-feira, 12 de abril de 2012

Vivia minha vida de preso, pensando estar livre.
Agora vivo minha vida de preso e sou livre.
Talvez tenha sido condenado a viver muitas de minhas encarnações em uma vida só.
E sendo assim, é sempre pouco o tempo que tenho.
E ainda que tenha recebido muito do mundo, achava que era pouco o que recebi dos meus.
Mas muitas vidas para viver em uma só é muito, mesmo para mim. Mesmo para você.
Num mundo que te dá mais do que você pode receber e me pede mais do que eu posso dar.
Uma parte desta minha vida já se foi, as outras, como todas, a cada dia floresce, e se desfaz.
Eu mesmo me consumo num 'como se' fosse. Como se fosse real, como se fosse importante, como se fosse durar, mas se durar, isso já não me pertence mais...
Deixo obras incompletas, que não saberei se são 'esqueletos da Encol' ou sementes.
Deixo porque tenho outras vidas para viver, todas agora, nesta vida, vocês não podem me ajudar nisso.
Para outras encarnações postergo a devolução do amor que recebo nesta, e isto as vezes me imerge numa suave infelicidade.
Mas aos meus, e eles sabe quem são, eu dedico as brechas de meu coração.
Com amor,
Aureo

domingo, 17 de julho de 2011

Quem sou eu?

Tinha muitas posses e milhares de servos se devotavam a mim. Três destes eram minhas filhas e estas sempre usufruíram dos benefícios de minha posição. Também me amavam, cada uma do seu jeito. Mas como eu precisava ouvir o juramento solene deste amor, perante todos e válido por toda eternidade, lhes pedi a jura de amor mais pura e intensa que uma filha pode fazer a um pai. De uma delas, ingrata, não as recebi, senão como migalhas duvidosas e a tal afronta paguei deserdando a esta que tão acintosamente se mostrava bastarda de mim. Consumi a minha vida e a paz de minha`lma para ao final chegar ao lugar do qual eu nunca deveria ter saído, à insegurança daquele que ama e é amado sem garantias.

Perguntas: Que personagem da literatura eu sou? Ó leitor atento, trocas de lugar comigo, ignorando a pouca diferença entre a infelicidade revelada e a que está constantemente por se revelar?

domingo, 6 de março de 2011

Chega o momento em que a ausência do Nada transborda.

(N.E.M. é de uma figura que fica guardando as coisas que iscreve porque é muito perfeccionista...)

minerando

Para conquistar riquezas e buscar ouro e diamantes em sua vida, seja um mineiro e trabalhe embaixo da terra, lava e excrementos.

se já faz sentido trabalhar por tesouros materiais, que se dirá dos tesouros humanos?: carinho, amor, paixão, desejo; e tantos outros.

Guerra e Orgia

Dois exércitos se enfrentam. homens e mulheres, frente a frente, guardando sob a aparência convidativa, milhares de anos e cicatrizes de conflito.

Podemos ter 3 desfechos.

1. As mulheres seduzem os homens, com seus lindos, irrestíveis e insuportáveis atributos (estou tentando a me alongar nos adjetivos...), e os matam;

2. Os homens subjugam as mulheres com sua astúcia e desejo, e as matam.

3. Homens e mulheres não guerreiam. Em vez de desferirem golpes pretensamente mortais, para obsequiosa e admiradamente, uns em frente às outras, e em vez de lutarem, se amam.

e para mim não faz diferença se isso se dá num bolero, num passeio de camplo florido, ou numa orgia.

Sobre a crítica, assemelhados, e a arte de pisar na grama sem machucá-la.

"Pise suavemente, pois você está pisando nos meus sonhos"

(poema he wishes for the clouths of heaven - W. H. Yeats)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Consciência tranquila, memória ruim.

Tem um ditado que diz que uma consciência tranquila pode se basear em uma memória ruim. Abaixo um texto interessante sobre o tema.


A guerra é péssima para a memória

A dificuldade para lembrar e assumir os episódios mais traumáticos do passado é comum a pessoas e países. Cada um remodela sua lembrança, e falta tempo para assimilar uma história global

Jacinto Antón
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Visite o site do El País: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2008/11/05/ult581u2893.jhtm


Matou alguém? "Não sei. Nunca se sabe. Todos atiram. Você atira..." Cirilo Carranza, 87 anos, não vacilou até agora. Abriu sua memória com uma exatidão surpreendente, lembrando fatos de 70 anos atrás: a marcha para o Ebro com a 13ª Brigada Internacional, entre campos onde os agricultores deixavam sua tarefa para animá-los levantando o punho e gritando "Viva a República!"; a travessia do rio em 25 de julho de 1938 às 24 horas. "Como passei? De barco, em silêncio; o medo o torna silencioso. Se havia perigo? Claro!"; o ataque da aviação na planície de Corbera - "Nos metralhou a esquadrilha de Morato, filhos da mãe, com seus Mecheresmits" [pronuncia assim, com stacato raivoso, e não Messerschmitts]. "Se nos apanham na serra de Pàndols, onde não se podia esconder, cavar, eu estaria morto"; o assalto "dos mouros, gente ruim, até hoje não posso nem vê-los"; a ocasião em que pela primeira vez em anos comeram bananas; os poloneses da brigada gritando "Curva!" - "Sabe o que significa? Sim, prostituta"; a retirada, "muito organizada", protegidos pela "Gloriosa, nossa aviação".

Ele lembrou, sorvendo seu café com leite e traçando linhas com os dedos sobre a mesa gasta do bar, posições e movimentos. Lembrou o conhaque com que enchia o cantil, as bolachas e o marmelo, o peso de seu fuzil, "um fuzil russo, mais alto que eu, muito ruim, que com dois tiros emperrava, sorte das bombas de mão". Mas em sua memória, embora haja mortos - "Às vezes tínhamos de enterrá-los porque cheiravam mal" -, Cirilo não mata ninguém, nem vê ninguém morrer. "Se você avança não pára porque alguém caiu, e se voltar, menos ainda; ninguém olha para trás."

O depoimento de Carranza, nascido em Barakaldo mas criado em Badalona, que se alistou como voluntário com 17 anos e, homem áspero mas honesto, continua fiel ao ideário revolucionário - "Quê? Você trabalhava no domingo? Que merda! Para isso fizemos a guerra?" -, é muito diferente do de outro veterano, de outra contenda, o alemão Peter Brill, 85 anos, piloto de caça da Luftwaffe na Segunda Guerra Mundial. Mas guarda pontos de contato em algo essencial: para ele também é difícil reconhecer que matou alguém.

No terraço de sua casa em Barcelona - curiosamente vizinha à de Jordi Pujol -, enquanto caem as sombras e revoa um par de morcegos, Brill evoca sua peripécia na Jagdgeschwader 77 (esquadrilha de caça). Começou seus vôos de combate na frente ocidental, nada menos que na operação Bodenplatte, o desesperado ataque de caças aos campos de pouso aliados na Bélgica e Holanda em janeiro de 1945. Depois passou para a frente leste.

O ex-piloto da Luftwaffe também lembra com pormenores, enquanto a brisa move suavemente as maquetes de aviões penduradas no quarto aberto para o terraço. Lembra a carlinga do Messerchmitt-109, que se fechava como um caixão. O conselho de "nunca ir para baixo" quando era perseguido por um Mustang, muito mais rápido ao picar. A ocasião em que o motor de seu avião parou a 8.000 metros sobre território russo, ou aquela em que os bombardeiros soviéticos se defenderam "lançando granadas de pára-quedas sobre nossos caças". Quarenta combates.

Não quer recordar se fez derrubadas até depois de um bom tempo de conversa. "Não digo!" então sim, quando a noite apagou seu interlocutor, chega a confidência: "Derrubei quatro russos. Os matei, com certeza. Você atira com tudo. O avião se destroça. Ninguém sai vivo. Não gosto de falar disso. Não estou orgulhoso."

O piloto octogenário, o velho soldado republicano... "A memória é o que a gente quer recordar", indica o historiador Ronald Fraser, autor de "Recuérdalo tú, y recuérdalo a otros" [Lembre você e lembre aos outros] (ed. Crítica), sobre a experiência de mais de 300 pessoas durante a Guerra Civil espanhola. "De todos esses entrevistados não encontrei nenhum que tivesse matado alguém", continua, agitando a cabeça enquanto bebe água no bar de seu hotel, durante uma visita a Barcelona. "É muito interessante, as pessoas não querem lembrar o que não é socialmente permitido." Como no caso de Carranza, de Brill ou daquele outro piloto, José Sandoval, ás da aviação republicana no comando de seu Chato, que nunca quis falar de suas derrubadas. "Sim, sim, é assim, muito curioso."

E é possível recuperar a memória global da história, com tanta lacuna? "Não, não há uma memória. A memória é subjetiva e individual. Cada um tem a sua. E é uma memória remodelada, uma rememória. Em boa parte, as pessoas montam suas próprias recordações. Não se pode confiar muito no relato objetivo. Mais nas motivações, porque se as pessoas não tivessem feito o que fizeram não teria acontecido o que aconteceu."

Para Fraser, a única materialização tangível da memória "são as fossas comuns, e mesmo nesse caso é preciso ir com muito cuidado, ser muito rigoroso. Já vi números muito exagerados em alguns lugares, em Valência, por exemplo. Deveria ser feito um controle refinado de tudo isso, em nível de Estado. Se não há um padrão, uma norma, cada região fará o seu a sua maneira e não conseguiremos cifras exatas e indiscutíveis".

Se as pessoas têm dificuldade para assumir seu passado, os países agem igualmente, ocultando ou negando os acontecimentos que para eles são traumáticos ou vergonhosos. Os japoneses insistem em ignorar sua responsabilidade e até negam a invasão da China. Os italianos deixavam passear de bicicleta por Roma o SS Erich Priebke, um dos carrascos das Fossas Ardeatinas.

Neste verão se viveu mais uma tentativa de fechar uma dessas grandes cicatrizes da memória que possui a vizinha França: o massacre de Oradour-sur-Glane, no Limousin. Em 10 de junho de 1944, efetivos da 2ª Divisão Panzer das Waffen-SS, a duríssima Das Reich, curtida e enrijecida na frente leste, assassinaram 642 pessoas - entre elas 245 mulheres, 207 crianças e o abade Chapelle, paradoxalmente partidário de Petain - e arrasaram a cidade em uma orgia de horror (chegou-se a atirar um menino ao forno do padeiro) vagamente justificada pelo suposto apoio da localidade à Resistência. Depois da guerra, na hora de julgar os fatos, a França se encontrou com a desagradável surpresa de que 14 dos SS acusados de participar do massacre eram alsacianos: 13 "Malgré nous" (incorporados à força ao exército nazista), mas também um voluntário. As sentenças foram muito brandas, o que provocou indignação por um lado, mas também o desagrado da Alsácia-Lorena, na consideração de que seus jovens tinham sido usados como bodes-expiatórios.

O assunto, a ponta do iceberg da participação francesa no exército de Hitler (47 mil alsacianos morreram ou desapareceram lutando sob as bandeiras nazistas no leste e um batalhão da Divisão das SS Carlos Magno, de voluntários franceses, esteve entre a nata dos defensores de Berlim), para não falar no colaboracionismo, continua sem estar totalmente resolvido. Os automóveis com placa dos departamentos da Alsácia foram tradicionalmente apedrejados em Oradour e no Limousin em geral, região onde os "maquisards" da Resistência foram muito castigados pelos nazistas (e não só ali: 105 homens acusados de fazer parte do maquis de Manises foram fuzilados em 12 de junho de 1944 nas Ardenas por um comando do 36º Regimento de Carros da Whermacht no qual também havia voluntários alsacianos).

Em seu livro sobre a sangrenta marcha da SS Das Reich através da França rumo à Normandia ("Das Reich", Pan Books, 1981), o historiador Max Hastings sugere que a conexão nacional com a chacina de Oradour poderia ser ainda mais sinistra: os nazistas teriam escolhido como alvo o povoado - um absurdo do ponto de vista militar - por causa de informações de uma fonte francesa ingênua ou mal-intencionada.

Em junho passado, no 64º aniversário do massacre, houve a enésima tentativa de reconciliação e do ato em memória das vítimas participaram Raphël Nisand, prefeito da alsaciana Schistigheim, que faz parte da comunidade urbana de Estrasburgo, e Jean Marie Bockel, que simbolicamente une a sua condição de secretário de Estado da Defesa e ex-combatente da Resistência o fato de ser alsaciano. Bockel reconheceu que é inegável que houve alsacianos que compartilharam a ideologia nazista, e ao mesmo tempo lembrou que entre os mártires de Oradour havia famílias alsacianas. O prefeito de Oradour, Raymond Frugier, é a favor da reconciliação, mas não muito antes teve de engolir o sapo de ver morrer de velhice, em sua cama e sem remorsos, com 86 anos, um dos piores sujeitos (e havia muitos), o sargento Heinz Barth, que se vangloriou diante de seu pelotão a caminho do povoado: "Hoje vocês vão ver correr sangue". Frugier disse: "Por crimes como esses uma pessoa não deveria ser perdoada".

Problemas com a memória como os de Oradour na França existem em todos os países. "Sim, claro", afirma Fraser. "A França não fez o que deveria fazer. Essas feridas demoram muito para sarar. Inclusive nos EUA de alguma maneira a brecha da Guerra Civil entre o norte e o sul se perpetuou por 150 anos. Na Espanha as feridas são maiores, especialmente entre os vencidos. Mas a sociedade espanhola está suficientemente madura para assimilar seu passado. É melhor assumir do que reprimir. Se não, sempre volta por caminhos inesperados."

Vocês, britânicos, também têm os seus, eu digo ao historiador; para não falar de que os incomodou ouvir que Montgomery era gay, aí está o recente problema com os gurkhas, as tropas mercenárias nepalesas que lutaram ferozmente pelo império e aos quais demoraram tanto a conceder direitos de cidadania. Inclusive dois vencedores da Segunda Guerra Mundial da Cruz de Vitória, a maior recompensa ao valor, Lachhiman Gurung, de 91 anos, e Tul Bahadur, de 86, tiveram de dar a cara e - como as legiões amotinadas do Reno diante de Germânico - mostrar suas cicatrizes nos tribunais.

Às vezes é mais fácil lutar com granadas contra os japoneses do que contra a memória fraca de um povo. "Sim, é incrível, essa gente que lutou na primeira linha por nós, tão valentes, e regateiam suas pensões. Na Grã-Bretanha temos outros casos: continuamos vivendo Dunquerque como uma vitória, quando foi uma grande derrota. Ou os bombardeios sobre a Alemanha: ainda se acredita que foram justificados, é difícil assumir que tanto sofrimento não serviu para encurtar a guerra. Esquecer, adaptar à memória a nossa conveniência, é uma reação humana comum, em nível mundial. Como você administra a memória tem a ver com o destino que tiveram as populações depois dos traumas. A Alemanha foi obrigada a assumir sua culpa em Nuremberg. Para o vencido a memória sempre é muito problemática."

Uma guerra fratricida é ruim para a memória. "E mais que isso. Na Espanha houve um grande silêncio entre os que a viveram. Ninguém falava disso com seus filhos. Silêncio e esquecimento. Creio que em seu foro íntimo, com o passar dos anos, todos, inclusive os vencedores, pensavam que nada valia a pena uma guerra civil. Agora parece que as pessoas estão dispostas a falar. Mas nunca se poderá fazer uma recuperação total. É preciso assumir as feridas que restaram do conflito."

Fraser duvida quando lhe pergunto se confrontar as pessoas com sua memória, fazê-las recordar, tem um valor catártico: "Eu não saberia dizer, mas houve um caso, um capitão de artilharia que eu entrevistei e que participou da tomada do Quartel de la Montaña. Depois de lembrar tudo, sofreu um infarto. Imagine, um homem que havia sobrevivido à guerra e eu quase o matei ao fazê-lo recordar."

Mulheres X Homens

Entendendo definitivamente os homens. Uma visão real.
(Texto atribuído a Arnaldo Jabor.)

Foi lendo um monte de besteiras que as mulheres escrevem em livros sobre o
'universo masculino', que resolvi escrever esse e-mail. Não tenho objetivo
de 'revelar' os segredos dos homens, mas amigos, me desculpem. Não se
trata de quebrar nosso código de ética. Isso vai ajudar as mulheres a
entenderem os homens e, enfim, pararem de tentar nos mudar com métodos
ineficazes. Vou começar de sola. Se não estiver preparada nem continue a
ler. E digo com segurança: o que escrevo aqui se aplica a 99,9% dos homens
baianos e brasileiros (sem medo de errar).



Não existe homem fiel. Você já pode ter ouvido isso algumas vezes, mas
afirmo com propriedade. Não é desabafo. É palavra de homem que conhece
muitos homens e que conhecem, por sua vez, muitos homens. Nenhum homem é
fiel, mas pode estar fiel, ou porque está apaixonado (algo que não dura
muito tempo - no máximo alguns meses - nem se iluda) ou porque está
cercado por todos os lados (veremos adiante que não adianta cercá-lo: isso
vai se voltar contra você). A única exceção é o crente extremamente
convicto. Se você quer um homem que seja fiel, procure um crente daqueles
bitolados, mas agüente as outras conseqüências.



Não desanime. O homem é capaz de te trair e de te amar ao mesmo tempo. A traição do homem é hormonal, efêmera, para satisfazer a lascívia. Não é como a da mulher. Mulher tem que admirar para trair; ter algum envolvimento. O homem só precisa de uma bunda. A mulher precisa de um
motivo para trair, o homem precisa de uma mulher. proteja e lhe dê carinho.
O homem é mais voltado para a profissão e para a realização pessoal e a
realização pessoal dele vem de diversas formas: pode vir com o sentimento
de paternidade, com uma família estruturada, etc., mas nunca vai vir se
não puder ter acesso a outras fêmeas e se não puder ter relativo sucesso
na profissão. Se você cercar seu homem (tipo, mulher que é sócia do marido
na empresa; o cara não dá um passo no dia-a-dia sem ela) você vai
sufocá-lo de tal forma que ele pode até não ter espaço para lhe trair, mas
ou seu casamento vai durar pouco, ele vai ser gordo (vai buscar a fuga na
comida) e vai ser pobre (por que não vai ter a cabeça tranqüila para se
desenvolver profissionalmente. (Vai ser um cara sem ambição e sem futuro).










Não tente mudar para seu homem ser fiel. Não adianta. Silicone, curso de
dança sensual, se vestir de enfermeira, etc... nada disso vai adiantar. É
lógico que quanto mais largada você for, menor a vontade do homem de ficar
com você e maior as chances do divórcio. Se ser perfeita adiantasse Julia
Roberts não tinha casado três vezes. Até Gisele Bunchen foi largada por Di
Caprio, não é você que vai ser diferente (mas é bom não desanimar e sempre
dar aquela malhadinha). O segredo é dar espaço para o homem viajar nos
seus desejos: na maioria das vezes, quando ele não está sufocado pela
mulher ele nem chega a trair, fica só nas paqueras, troca de olhares.
Finja que não sabe que ele dá umas pegadas por fora. Isso é o segredo para
um bom casamento. Deixe ele se distrair, todos precisam de lazer.



Se você busca o homem perfeito, pode continuar vendo novela das seis. Eles
não existem nesse conceito que você imagina. Os homens perfeitos de hoje
são aqueles bem desenvolvidos profissionalmente, que traem esporadicamente
(uma vez a cada dois meses, por exemplo), mas que respeitam a mulher, ou
seja, não gastam o dinheiro da família com amantes, não constituem outra
família, não traem muitas vezes, não mantêm relações várias vezes com a
mesma mulher (para não criar vínculos) e, sobretudo, são muuuuuito
discretos: não deixam a esposa saber (e nem ninguém da sua relação, como
amigas, familiares, etc.). Só, e somente só, um ou outro amigo DELE deve
saber, faz parte do prazer do homem contar vantagem sexual. Pegar e não
falar para os amigos é pior do que não pegar. As traições do homem
perfeito geralmente são numa escapulida numa boate, ou com uma garota de
programa (usando camisinha e sem fazer sexo oral nela), ou mesmo com uma
mulher casada de passagem por sua cidade. O homem perfeito nunca trai com
mulheres solteiras. Elas são causadoras de problemas. Isso remete ao
próximo tópico.



ESSE TÓPICO NÃO É PARA AS ESPOSAS - É PARA AS SOLTEIRAS OU AMANTES:

Esqueçam de uma vez por todas esse negócio de homem não gosta de mulher
fácil. Homem adora mulher fácil. Se 'der' de prima então, é o máximo. Todo
homem sabe que não existe mulher santa. Se ela está se fazendo de difícil
ele parte para outra. A demanda é muito maior do que a procura. O mercado
tá cheio de mulher gostosa. O que homem não gosta é de mulher que liga no
dia seguinte. Isso não é ser fácil, é ser problemática (mulher problema).
Ou, como se diz na gíria, é pepino puro. O fato de você não ligar para o
homem e ele gostar de você não quer dizer que foi por você se fazer de
difícil, mas sim por você não representar ameaça para ele. Ele vai ficar
com tanta simpatia por você que você pode até conseguir fisgá-lo e
roubá-lo da mulher. Ele vai começar a se envolver sem perceber. Vai
começar ELE a te procurar. Se ele não te procurar era porque ele só queria
aquilo mesmo. Parta para outro e deixe esse de stand by. Não vá se vingar,
você só piora a situação e não lucra nada com isso. Não se sinta usada,
você também fez uso do corpo dele - faz parte do jogo; guarde como um
momento bom de sua vida.



90% dos homens não querem nada sério. Os 10% restantes estão
momentaneamente cansados da vida de balada ou estão ficando com má fama
por não estarem casados ou enamorados; por isso procuram casamento.
Portanto, são máximas as chances do homem mentir em quase tudo que te fala
no primeiro encontro (ele só quer te comer, sempre). Não seja idiota,
aproveite o momento, finja que acredita que ele está apaixonado e dê logo
para ele (e corra o risco de fisgá-lo) ou então nem saia com ele. Fazer
doce só agrava a situação, estamos em 2007 e não em 1957. Esqueça os
conselhos da sua avó, os tempos são outros.



Para ser uma boa esposa e para ter um casamento pelo resto da vida faça o
seguinte: Tente achar o homem perfeito do 5º item, dê espaço para ele. Não
o sufoque. Ele precisa de um tempo para sua satisfação. Seja uma boa
esposa, mantenha-se bonita, malhe, tenha uma profissão (não seja dona de
casa), seja independente e mantenha o clima legal em casa. Nada de
sufocos, de 'conversar sobre a relação', de ficar mexendo no celular dele,
de ficar apertando o cerco, etc. Você pode até criar 'muros' para ele, mas
crie muros invisíveis e não muito altos. Se ele perceber ou ficar sem
saída, vai se sentir ameaçado e o casamento vai começar a ruir.

A última dica:



Se você está revoltada por este e-mail, aqui vai um conselho: vá tomar uma
água e volte para ler com o espírito desarmado. Se revoltar quanto ao que
está escrito não vai resolver nada em sua vida. Acreditar que o que está
aqui é mentira ou exagero pode ser uma boa técnica (iludir-se faz parte da
vida, se você é dessas, boa sorte!). Mas tudo é a pura verdade. Seu
marido/noivo/namorado te ama, tenha certeza, senão não estaria com você,
mas trair é como um remédio; um lubrificante para o motor do carro. Isso é
científico. O homem que você deve buscar para ser feliz é o homem perfeito
do item 5º. Diferente disso ou é crente, ou viado ou tem algum trauma (e
na maioria dos casos vão ser pobres). O que você procura pode ser
impossível de achar, então, procure algo que você pode achar e seja feliz
ao invés de passar a vida inteira procurando algo indefectível que você
nunca vai encontrar. Espero ter ajudado em alguma coisa. Agora, depois de
tudo isso dito, cadê a coragem de mandar este e-mail para minha mulher??

Fala a um antigo amigo

Meu Amigo Pedro (letra do mestre Raul), ouça em http://www.youtube.com/watch?v=oU2aGLfmZvg


Muitas vezes Pedro você fala

Sempre a se queixar da solidão

quem te fez com ferro fez com fogo, Pedro

É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia

Sem saber se é bom ou se é ruim

quando quer chorar vai ao banheiro

Pedro, as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso

Ou me queimo torto no inferno

Eu penso em você meu pobre amigo

Que só usa sempre o mesmo terno

Pedro onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou


Mas tudo acaba onde co..me..çou

Tente me ensinar das tuas coisas

Que a vida é séria e a guerra é dura

Mas, se não puder cale essa boca, Pedro

E deixa eu viver minha loucura

Lembro Pedro aqueles velhos dias

Quando os dois pensavam sobre o mundo

Hoje eu te chamo de careta

E você me chama de vagabundo

Pedro onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou

Mas, tudo acaba onde co..me..çou

Todos os caminhos são iguais
O que leva à glória ou a


perdição

Há tantos caminhos, tantas portas

Mas, somente um tem coração

E eu não tenho nada a te dizer

Mas, não me critique como eu sou

Cada um de nós é um universo, Pedro

Onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou

Mas tudo acaba onde co..me..çou

É que tudo acaba onde co..me..çou