Pedro emagrecia,
Com as noites mal dormidas,
Fechava os olhos e lhe aparecia,
Uma caverna parricida.
Logo ele?
Ex-atleta, cuidadoso, assim envergonhado,
Olhos fechados, susto danado,
Sua boca encardida e fétida,
Filas de dentes,
Caçadores, coletores,
Amarelados, deteriorados,
Decompostos, desregrados,
Acordava num sobressalto,
Corria para o espelho, se acalmava,
Brilhavam lá seus dentes cultivados,
Frutos da genética, bem higienizados,
Quando se cerravam as cortinas, contudo,
Soprava o hálito da morte,
E de tanto repetir-se a cena,
Começou a duvidar do espelho,
E a examinar,
Tão minuciosamente,
E por tanto tempo,
Os próprios dentes,
Que finalmente viu,
Bem acordado,
Bem ali,
O mal, o tártaro, o noturno visitante,
Não o tártaro dos dentistas,
Sim o tártaro dos deuses,
Onde os fortes morrem esquecidos,
Onde as amizades esmaecem,
Onde habitam as esperanças cansadas,
Os amores que não vieram,
Os amores que já se foram,
A velha criança desenganada.
Refletia-se,
Chorava, ria,
Dava adeus,
Dava a pedro,
Esperavam-no,
Sem saber,
Com paixão,
Foi-se.
Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 12 de maio de 2014
segunda-feira, 22 de abril de 2013
O ciclo.
Pauline é jovem.
Em seus ouvidos, promessas.
Em sua mente, poder.
Em seus olhos, sonhos.
Seu corpo é belo e forte.
E seus pensamentos são ágeis.
Mas Pauline também é Pedro. É Pauline-Pedro.
Eles moram e dançam juntos todo dia.
Há todavia um conflito.
Pedro quer viver acima. Ele é firme, claro em seus propósitos, usa a razão e almeja a transcendência.
Pauline quer viver abaixo. Ela emociona-se, flui, é obscura e lhe apetecem as necessidades. Acredita que daqui a 20 anos estará só, fazendo seus próprios movimentos. A sua outra metade terá sumido.
- Dancemos por amor e misturemos tudo, Pedro. Amor e dor, beleza, sofrimento e solidão.
- Dancemos até que o amor acabe. Acho que vou contar até 5.
5
4
3
2
1
Pedro-Pauline imergem.
.................................................................................................................................
Era uma vez, num reino muito, muito distante...
Quando Pedro ainda não era Pedro-Pauline e não era nem mesmo Pedro, apenas fluía no mar.
Veio então esta forma que chamamos de corpo e o diferenciou.
E passou a existir Pedro, que corria como o cão e usava uma coleira que era só sua. Não se perguntava por que a usava, nem se podia parti-la. Cria que seu destino o esperava, mas rodeava resoluto sem ir aos confins onde ficava aquilo sei lá o que que desejava.
O tempo passou e o discurso do "nunca irei lá" passou a ser intercalado com o ato mais belo de ficar amarrado a beira de uma corda, com o corpo alongado como uma espada que todavia não desfere no mundo o golpe fatal de que é capaz. Ocupava um ângulo ruim de visão e não via quem havia partido e agora passeava lá fora com flores. Até a noite em que teve um sonho.
Tentavam enterrar viva sua irmã, mas ela continuava a dançar e não parava nem quando lhe entrava terra pela boca. Ela dançava por amor, e deixava um rastro, fazia um eco, pintava um retrato único e o assinava E dizia: Dance voce também!
No dia seguinte, Pauline aconteceu a Pedro.
Mas muito antes disso, num outro reino distante, Pauline não era ainda Pauline...
Havia recebido um belo corpo e com ele flutuava em águas profundas e turvas, e para amar, tentava fazer curvas. Todo dia ela fazia tudo igual, e variava entre a inconsciência e um tédio mortal. Não havia beleza, e para piorar, ela tinha finalmente cansado dos mimos - jóias, roupas, viagens - que caíam a seus pés.
À noite, quando fechava os olhos, sonhava o doce canto de Sua confortável vida e renegava essa amante espúria, gasta e inconstante que é a Vida.
Numa segunda-feira, passeando por um sinuoso e pouco frequentado caminho do parque, Pauline tropeçou em Pedro. E não levantou mais.
...............................
Emerge Pedro.
Emerge Pauline.
Projetam-se no ar.
Artérias límpidas de uma natureza forte.
O ar pouco lhes resiste.
Assim, pois, avançam.
Mas logo à frente uma rocha fria e insuperável os espera.
Que importa, se agora todos são, cantam, dançam e estão livres?
Será uma linda explosão.
E Pauline espalhará seus corpúsculos aquáticos por sobre todos a quem tocou.
Pedro também fará do mesmo modo.
E muito outros, milhares e milhões.
Milhares de almas se esfacelando em seu gozo final, a cada expiração.
Guiadas pelas mesmas forças que as criaram.
Fazem radiante e sublime espetáculo.
Inspira, e a água aglutina-se, escorre e retorna à fonte.
Expira, e a água desintegra-se, borrifa e retorna da Fonte.
Em seus ouvidos, promessas.
Em sua mente, poder.
Em seus olhos, sonhos.
Seu corpo é belo e forte.
E seus pensamentos são ágeis.
Mas Pauline também é Pedro. É Pauline-Pedro.
Eles moram e dançam juntos todo dia.
Há todavia um conflito.
Pedro quer viver acima. Ele é firme, claro em seus propósitos, usa a razão e almeja a transcendência.
Pauline quer viver abaixo. Ela emociona-se, flui, é obscura e lhe apetecem as necessidades. Acredita que daqui a 20 anos estará só, fazendo seus próprios movimentos. A sua outra metade terá sumido.
- Dancemos por amor e misturemos tudo, Pedro. Amor e dor, beleza, sofrimento e solidão.
- Dancemos até que o amor acabe. Acho que vou contar até 5.
5
4
3
2
1
Pedro-Pauline imergem.
.................................................................................................................................
Era uma vez, num reino muito, muito distante...
Quando Pedro ainda não era Pedro-Pauline e não era nem mesmo Pedro, apenas fluía no mar.
Veio então esta forma que chamamos de corpo e o diferenciou.
E passou a existir Pedro, que corria como o cão e usava uma coleira que era só sua. Não se perguntava por que a usava, nem se podia parti-la. Cria que seu destino o esperava, mas rodeava resoluto sem ir aos confins onde ficava aquilo sei lá o que que desejava.
O tempo passou e o discurso do "nunca irei lá" passou a ser intercalado com o ato mais belo de ficar amarrado a beira de uma corda, com o corpo alongado como uma espada que todavia não desfere no mundo o golpe fatal de que é capaz. Ocupava um ângulo ruim de visão e não via quem havia partido e agora passeava lá fora com flores. Até a noite em que teve um sonho.
Tentavam enterrar viva sua irmã, mas ela continuava a dançar e não parava nem quando lhe entrava terra pela boca. Ela dançava por amor, e deixava um rastro, fazia um eco, pintava um retrato único e o assinava E dizia: Dance voce também!
No dia seguinte, Pauline aconteceu a Pedro.
Havia recebido um belo corpo e com ele flutuava em águas profundas e turvas, e para amar, tentava fazer curvas. Todo dia ela fazia tudo igual, e variava entre a inconsciência e um tédio mortal. Não havia beleza, e para piorar, ela tinha finalmente cansado dos mimos - jóias, roupas, viagens - que caíam a seus pés.
À noite, quando fechava os olhos, sonhava o doce canto de Sua confortável vida e renegava essa amante espúria, gasta e inconstante que é a Vida.
Numa segunda-feira, passeando por um sinuoso e pouco frequentado caminho do parque, Pauline tropeçou em Pedro. E não levantou mais.
...............................
Emerge Pedro.
Emerge Pauline.
Projetam-se no ar.
Artérias límpidas de uma natureza forte.
O ar pouco lhes resiste.
Assim, pois, avançam.
Mas logo à frente uma rocha fria e insuperável os espera.
Que importa, se agora todos são, cantam, dançam e estão livres?
Será uma linda explosão.
E Pauline espalhará seus corpúsculos aquáticos por sobre todos a quem tocou.
Pedro também fará do mesmo modo.
E muito outros, milhares e milhões.
Milhares de almas se esfacelando em seu gozo final, a cada expiração.
Guiadas pelas mesmas forças que as criaram.
Fazem radiante e sublime espetáculo.
Inspira, e a água aglutina-se, escorre e retorna à fonte.
Expira, e a água desintegra-se, borrifa e retorna da Fonte.
Marcadores:
amor,
Aureo-escritor,
cinema,
corpo,
equilíbrio,
liberdade,
paixão,
relacionamento,
ser,
sonho,
trágico,
vida
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Rejuvelhecer.
Acidente. Maldição. Surpresa. Horror.
Esse meu futuro que já nasce querendo morrer, eu renego.
No meu último passo de marido, levanto os olhos à frente, e eles estão cegos para o amor.
Meus ouvidos também não te suportam, arquiinimigo inesperado da minha vida.
PRECISO CALAR-TE.
Dei meu primeiro passo de peregrino e já não há lugar para ti no meu mundo.
Te aconselho viver numa caixa de sapatos, trabalhar, receber alguns trocados e deixar que as pessoas tropecem em você.
...
Ora, levante-se, e pare de agir como um velho.
Eu sou velho. Vivo no meio de velhos, me vejo, penso e sinto como um velho.
Por que você está enganando todo mundo assim?
O que há de errado comigo? Estou dando um adeus silencioso demais a você!
Crescer é uma coisa esquisita, escapa da gente. A gente espera do mundo, e o mundo espera de nós.
E prepare-se para o amor, quebrar regras, presentear promessas, desapontar, envergonhar-se, rir e chorar, e fazer tudo isso de novo.
O universo é um hotel no qual vivemos vidas paralelas.
À beira da piscina, sob as estrelas, sou teu namorado apaixonado que te faz companhia enquanto dizes do teu dia e dos teus sonhos.
Num dos quartos, sou teu amante, e estamos jantando. E à mesa te digo para não devorar tudo, porque, quando acabar o amor, só servirá bem a guerra.
E no andar de cima, entrei no quarto errado e, envolto numa fina ausência de lembranças, você que era minha mulher, agora é minha mãe. Paira no ar, embalada num incesto, a saudade de ter amado uma vez.
Receba um abraço apertado de quem você gosta!
Às vezes você troca muita coisa por nada. Mas é porque você queria tudo.
Nunca se sabe o que está reservado para você.
Certas pessoas estão aqui mesmo para o que der e vier; mas o corpo e a alma têm de estar marcados, para isso acontecer.
Podemos estar incomodados pelo jeito que as coisas aconteceram, mas quando chegar o fim, é preciso se deixar levar.
Uma tempestade terrível se aproxima, propõe-me trocar o que eu quero pelo que eu devo fazer. Quando passar, vai deixar um ar fresco e cheiro de terra molhada.
Algumas coisas mudam.
Algumas coisas não se esquecem.
Nem um pouco dura.
Boa noite, meu amor.
Boa noite.
----
Texto baseado no filme 'O curioso caso de Benjamin Button'. Abaixo o trailler:
Esse meu futuro que já nasce querendo morrer, eu renego.
No meu último passo de marido, levanto os olhos à frente, e eles estão cegos para o amor.
Meus ouvidos também não te suportam, arquiinimigo inesperado da minha vida.
PRECISO CALAR-TE.
Dei meu primeiro passo de peregrino e já não há lugar para ti no meu mundo.
Te aconselho viver numa caixa de sapatos, trabalhar, receber alguns trocados e deixar que as pessoas tropecem em você.
...
Ora, levante-se, e pare de agir como um velho.
Eu sou velho. Vivo no meio de velhos, me vejo, penso e sinto como um velho.
Por que você está enganando todo mundo assim?
O que há de errado comigo? Estou dando um adeus silencioso demais a você!
Crescer é uma coisa esquisita, escapa da gente. A gente espera do mundo, e o mundo espera de nós.
E prepare-se para o amor, quebrar regras, presentear promessas, desapontar, envergonhar-se, rir e chorar, e fazer tudo isso de novo.
O universo é um hotel no qual vivemos vidas paralelas.
À beira da piscina, sob as estrelas, sou teu namorado apaixonado que te faz companhia enquanto dizes do teu dia e dos teus sonhos.
Num dos quartos, sou teu amante, e estamos jantando. E à mesa te digo para não devorar tudo, porque, quando acabar o amor, só servirá bem a guerra.
E no andar de cima, entrei no quarto errado e, envolto numa fina ausência de lembranças, você que era minha mulher, agora é minha mãe. Paira no ar, embalada num incesto, a saudade de ter amado uma vez.
Receba um abraço apertado de quem você gosta!
Às vezes você troca muita coisa por nada. Mas é porque você queria tudo.
Nunca se sabe o que está reservado para você.
Certas pessoas estão aqui mesmo para o que der e vier; mas o corpo e a alma têm de estar marcados, para isso acontecer.
Podemos estar incomodados pelo jeito que as coisas aconteceram, mas quando chegar o fim, é preciso se deixar levar.
Uma tempestade terrível se aproxima, propõe-me trocar o que eu quero pelo que eu devo fazer. Quando passar, vai deixar um ar fresco e cheiro de terra molhada.
Algumas coisas mudam.
Algumas coisas não se esquecem.
Nem um pouco dura.
Boa noite, meu amor.
Boa noite.
----
Texto baseado no filme 'O curioso caso de Benjamin Button'. Abaixo o trailler:
domingo, 17 de julho de 2011
Manuela vivia feliz com Charles e desde que o havia conhecido não se detinha em mais nenhum aconchego que não fosse o do seu amante. Em seu peito encontrava não apenas a fortaleza em que descansava mas a companhia que a fazia sentir-se sempre segura e preservada do perverso e sórdido mundo sobre o qual havia sido advertida de que estaria a sua espreita se ousasse sair lá fora sem a proteção de seu amor, companheiro, amo e benfeitor, Charles.
Embalada em sua proteção, em seu colo, passavam-se os dias como se não houvessem passado. Todos os seus desejos eram atendidos e as suas vontades satisfeitas. Era como se ela fosse uma pequena e frágil ave que repousava na mão de seu dono e nesta mão encontrava abrigo. Por vezes a cutucava até que adquirisse a posição que mais lhe agradava, em forma de conchinha, e quando conseguia, se aconchegava como uma menina-mulher.
é verdade que acabava por ter sonhos estranhos quando dormia assim, certa noite estava deste jeito quando os dedos da mão carinhosa começaram a se mexer de forma contínua, ritmada e estranha. era como se dançassem. a mão também mostrava uma alteração de personalidade e passava a envolvê-la de uma forma mais sinuosa e rude. Os dedos pareciam, enfim, antagonistas de uma alucinação grotesca e lhe subiam pelas pernas, ora brincalhões, ora gosmentos com lesmas e em movimentos pulsantes como aqueles que usam as minhocas.
é um sonho, certo? Manuela não reconhece mais nessa mão o seu Charles protetor. parece que ele se foi e deixou em seu lugar um empregado que pretende lhe usurpar o que de mais puro tem o patrão. Manuela quer acordar, sabe que é um sonho e começa a sentir vertigens nessa mão rodopiante, quase psicodélica, cujos dedos a exploram.
Esses movimentos são acompanhados de um líquido morno no qual ela poderia se abandonar a boiar, aberta como uma flor recém caída. Eram cinco dedos, e ela, exausta, sentia como se não tivesse mais forças para lhes resistir: que lhe fizessem então o que melhor lhes aprouvesse, pois não poderia abandonar mais aquela mão que um dia foi a extensão de seu amado e que hoje era o berço de seus prazeres ambivalentes. Havia de ceder, de entregar-se, enfim, entregar aquilo que eles, dela já haviam obtido, por força ou destreza, há muito tempo.
Embalada em sua proteção, em seu colo, passavam-se os dias como se não houvessem passado. Todos os seus desejos eram atendidos e as suas vontades satisfeitas. Era como se ela fosse uma pequena e frágil ave que repousava na mão de seu dono e nesta mão encontrava abrigo. Por vezes a cutucava até que adquirisse a posição que mais lhe agradava, em forma de conchinha, e quando conseguia, se aconchegava como uma menina-mulher.
é verdade que acabava por ter sonhos estranhos quando dormia assim, certa noite estava deste jeito quando os dedos da mão carinhosa começaram a se mexer de forma contínua, ritmada e estranha. era como se dançassem. a mão também mostrava uma alteração de personalidade e passava a envolvê-la de uma forma mais sinuosa e rude. Os dedos pareciam, enfim, antagonistas de uma alucinação grotesca e lhe subiam pelas pernas, ora brincalhões, ora gosmentos com lesmas e em movimentos pulsantes como aqueles que usam as minhocas.
é um sonho, certo? Manuela não reconhece mais nessa mão o seu Charles protetor. parece que ele se foi e deixou em seu lugar um empregado que pretende lhe usurpar o que de mais puro tem o patrão. Manuela quer acordar, sabe que é um sonho e começa a sentir vertigens nessa mão rodopiante, quase psicodélica, cujos dedos a exploram.
Esses movimentos são acompanhados de um líquido morno no qual ela poderia se abandonar a boiar, aberta como uma flor recém caída. Eram cinco dedos, e ela, exausta, sentia como se não tivesse mais forças para lhes resistir: que lhe fizessem então o que melhor lhes aprouvesse, pois não poderia abandonar mais aquela mão que um dia foi a extensão de seu amado e que hoje era o berço de seus prazeres ambivalentes. Havia de ceder, de entregar-se, enfim, entregar aquilo que eles, dela já haviam obtido, por força ou destreza, há muito tempo.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
IGray
Passo a desenvolver novos índices interessantes, a partir da expansão da ideia do IBOV (índice bovespa).
IGray: é o índice Dorian Gray de uma pessoa. Dorian Gray é o protagonista do romance "O retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde.
Nele um belo e inocente rapaz consegue, por meio obscuro, livrar-se de toda a feiúra e imoralidade que poderia lhe marcar a partir de suas práticas espúrias e continuar mostrando-se impecavelmente são em público, no seu dia-a-dia, enquanto o seu lado mau, humano e mesmo pútrido é mantido escondido das pessoas, de todas ou em geral, e sempre ou na maioria dos momentos.
Assim, quando alguém nos surpreende com um comportamento selvagem, primitivo, instintivo e até destrutivo, enquanto que no cotidiano esta pessoa se demonstra exatamente o contrário, dizemos que ela tem um IGray alto, ou seja, assemelha-se ao Dorian Gray ao mostrar a sua pureza e esconder a sujeira.
Todos temos um IGray maior ou menor. Quem é sempre bom e justo, pode, embora não necessariamente, indicar que "está escondendo sua alma sangrenta no sótão". é uma possibilidade do IGray.
Quem mostra em um momento uma explosão de instinto, permite um cálculo melhor do IGray ao permitir a comparação daquilo com o que a pessoa demonstra normalmente.
IGray baixo é uma face que é coerente em intensidade e em suas variações, de forma que estas não surpreendem em constraste com a personalidade normal, mas se harmonizam ou mesmo a reafirmam.
IGray: é o índice Dorian Gray de uma pessoa. Dorian Gray é o protagonista do romance "O retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde.
Nele um belo e inocente rapaz consegue, por meio obscuro, livrar-se de toda a feiúra e imoralidade que poderia lhe marcar a partir de suas práticas espúrias e continuar mostrando-se impecavelmente são em público, no seu dia-a-dia, enquanto o seu lado mau, humano e mesmo pútrido é mantido escondido das pessoas, de todas ou em geral, e sempre ou na maioria dos momentos.
Assim, quando alguém nos surpreende com um comportamento selvagem, primitivo, instintivo e até destrutivo, enquanto que no cotidiano esta pessoa se demonstra exatamente o contrário, dizemos que ela tem um IGray alto, ou seja, assemelha-se ao Dorian Gray ao mostrar a sua pureza e esconder a sujeira.
Todos temos um IGray maior ou menor. Quem é sempre bom e justo, pode, embora não necessariamente, indicar que "está escondendo sua alma sangrenta no sótão". é uma possibilidade do IGray.
Quem mostra em um momento uma explosão de instinto, permite um cálculo melhor do IGray ao permitir a comparação daquilo com o que a pessoa demonstra normalmente.
IGray baixo é uma face que é coerente em intensidade e em suas variações, de forma que estas não surpreendem em constraste com a personalidade normal, mas se harmonizam ou mesmo a reafirmam.
domingo, 6 de março de 2011
Sobre a crítica, assemelhados, e a arte de pisar na grama sem machucá-la.
"Pise suavemente, pois você está pisando nos meus sonhos"
(poema he wishes for the clouths of heaven - W. H. Yeats)
(poema he wishes for the clouths of heaven - W. H. Yeats)
Porque a realidade objetiva decorre do subjetivo, e não o contrário (relaxa, é apenas um contraponto cíclico!)
1. O que vejo em mim, vejo lá fora (projeção).
2. A partir deste jeito que percebo o mundo, é que defino como me comporto com ele.
3. As pessoas então, se comportam, em uma certa medida, reagindo a minhas ações, agindo comigo este conjunto de pessoas - o mundo - como eu agi com ele (é aqui que dizemos que nosso comportamento é baseado na realidade objetiva externa...)
4. Enfim, o que fiz baseado no que vi no mundo, é o que fiz baseado no que vejo em mim.
5. Solução: nosce te ipsum.
2. A partir deste jeito que percebo o mundo, é que defino como me comporto com ele.
3. As pessoas então, se comportam, em uma certa medida, reagindo a minhas ações, agindo comigo este conjunto de pessoas - o mundo - como eu agi com ele (é aqui que dizemos que nosso comportamento é baseado na realidade objetiva externa...)
4. Enfim, o que fiz baseado no que vi no mundo, é o que fiz baseado no que vejo em mim.
5. Solução: nosce te ipsum.
Marcadores:
conhecimento,
diálogo,
paradoxo,
percepção,
realidade,
reciprocidade,
sonho,
vida
domingo, 5 de dezembro de 2010
(Sobre o silêncio): shhh!
Havia numa pequena aldeia esquecida entre as montanhas um confeiteiro mestre. Passou a vida fazendo bolos e doces. Com o tempo não via mais graça em fazer sempre os mesmos e começou a inventar. Os primeiros foram os bombons de chocolate com ar comprimido que – buff – acabavam explodindo no ar, deixando nele um delicioso cheiro de chocolate e alguma erva especial que lhe era misturada. E daí seguiram-se muitos outros.
Também havia nesta aldeia um padre muito zeloso de seu ofício. Estudava muito a bíblia e se empenhava de corpo e alma na pregação de cada sermão que fazia. Tinha porém o terrível hábito de fazer questão de saber se os fiéis realmente tinham sido arrebatados pela palavra divina vinda através de sua boca. Usava um bom critério: o tempo que as pessoas demoravam para voltar a conversar animada e frivolamente após o sermão e o fim do culto. Depois comparava com a impressão que outras atividades causavam.
Excluiu logo de início o sexo, não porque o achasse sem importância, mas porque não via como pesquisá-lo sem sujar-se daqueles que o praticam como que religiosamente.
Quadros bem pintados por exemplo, costumavam gerar o mesmo tempo de enlevo calado que um sermão mediano. O que não fazia sentido era que os melhores sermões perdessem sempre para os doces do confeiteiro.
Sabendo o padre que aquele os preparava no mais absoluto silêncio, chegou a pensar se era obra demoníaca que se ocultava ou se simplesmente aquele silêncio prazeroso que se seguia ao comer não era causado na alma, mas por algum ingrediente qualquer que lhe imitava os efeitos muito perfeitamente.
Um dia chega à aldeia um viajante e escreve a resposta aos questionamentos do padre; e esse, ao ler, se liberta.
Agora, escreve abaixo o que pensas que escreveu o estrangeiro, sim, tu mesmo leitor, escreve!
Também havia nesta aldeia um padre muito zeloso de seu ofício. Estudava muito a bíblia e se empenhava de corpo e alma na pregação de cada sermão que fazia. Tinha porém o terrível hábito de fazer questão de saber se os fiéis realmente tinham sido arrebatados pela palavra divina vinda através de sua boca. Usava um bom critério: o tempo que as pessoas demoravam para voltar a conversar animada e frivolamente após o sermão e o fim do culto. Depois comparava com a impressão que outras atividades causavam.
Excluiu logo de início o sexo, não porque o achasse sem importância, mas porque não via como pesquisá-lo sem sujar-se daqueles que o praticam como que religiosamente.
Quadros bem pintados por exemplo, costumavam gerar o mesmo tempo de enlevo calado que um sermão mediano. O que não fazia sentido era que os melhores sermões perdessem sempre para os doces do confeiteiro.
Sabendo o padre que aquele os preparava no mais absoluto silêncio, chegou a pensar se era obra demoníaca que se ocultava ou se simplesmente aquele silêncio prazeroso que se seguia ao comer não era causado na alma, mas por algum ingrediente qualquer que lhe imitava os efeitos muito perfeitamente.
Um dia chega à aldeia um viajante e escreve a resposta aos questionamentos do padre; e esse, ao ler, se liberta.
Agora, escreve abaixo o que pensas que escreveu o estrangeiro, sim, tu mesmo leitor, escreve!
sábado, 9 de outubro de 2010
Ele, um nórdico, se inclina invasivamente para a frente, com seu corpo de aço, enquanto permanece ladeado de seus úteis e simétricos comparsas. Há contudo uma cortina húmida de gotículas que os separam de nós. Ainda assim, aparte, pretende nos inspirar. Mas eis que um dedo mágico deslizou pelo seu corpo, ou seria pela cortina separadora? Superfície ou substância? E nos deu a visão. A visão que já tínhamos, porque esse toque de agora sempre esteve lá, nasceram juntos e não saberemos jamais se um poderia existir sem o outro.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Mosca dormindo, águia acordada
Voava como uma águia, e a todo momento se pegava arremetendo com fúria sobre as presas-alimento, a ponto de esquecer que era somente uma mosca ousada e pretensiosa.
Mas tinha sonhos maiores para si e sabia em seu íntimo que era uma águia. Talvez, imaginava, pela trama do destino, tivesse vindo parar em família errada, como certa vez ocorreu a um patinho feio que na verdade era um cisne.
toda vez que encontrava uma guloseima especial e se esbaldava de comer a ponto de adormecer perigosamente sobre o doce, tinha pesadelos de que não era uma águia, mas uma horrenda, nojenta e frágil mosca, isso fritava-lhe os nervos e acordava numa revoada. prometia-se então: "nunca mais vou comer nesse tanto, isso não me faz bem"; mas as tentações eram maiores e não conseguia, tudo acabava se repetindo sempre.
um dia, no meio do pesadelo de mosca, veio-lhe atrás o cozinheiro com o mata-moscas, ela, a águia que dormia, esquivou-se tenazmente, mas atingida, caiu ao chão e começou a agonizar. acordou assim de seu pesadelo de mosca e se propôs pela última vez que, se escapasse desta vez, "nunca mais iria comer muito, dormir mal e sonhar ser mosca"...
Mas tinha sonhos maiores para si e sabia em seu íntimo que era uma águia. Talvez, imaginava, pela trama do destino, tivesse vindo parar em família errada, como certa vez ocorreu a um patinho feio que na verdade era um cisne.
toda vez que encontrava uma guloseima especial e se esbaldava de comer a ponto de adormecer perigosamente sobre o doce, tinha pesadelos de que não era uma águia, mas uma horrenda, nojenta e frágil mosca, isso fritava-lhe os nervos e acordava numa revoada. prometia-se então: "nunca mais vou comer nesse tanto, isso não me faz bem"; mas as tentações eram maiores e não conseguia, tudo acabava se repetindo sempre.
um dia, no meio do pesadelo de mosca, veio-lhe atrás o cozinheiro com o mata-moscas, ela, a águia que dormia, esquivou-se tenazmente, mas atingida, caiu ao chão e começou a agonizar. acordou assim de seu pesadelo de mosca e se propôs pela última vez que, se escapasse desta vez, "nunca mais iria comer muito, dormir mal e sonhar ser mosca"...
Assinar:
Postagens (Atom)