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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Grande Beleza (texto baseado no filme)

O vovô está muito parado hoje.
Está olhando pela janela desde manhã.
Eu olhei também, mas não consegui ver o que ele vê.

Às vezes ele sorri sem tirar os olhos de lá.
 Aí eu olho de novo... mas nada.
Perguntei à mamãe e ela disse que é para eu ir cuidar de coisas de crianças.
E deixar as coisas de velho prá lá.

Por mais chato que seja olhar para o Jeb parado lá a manhã toda,
Quando ele sorri, parece que alguém está puxando e abrindo as cortinas para um belo espetáculo começar.
O que não faria sentido seria sorrir assim ao final do espetáculo.

Eu odeio a minha vida.
A voz doce da minha mãe me enjoa como um melaço tomado no bico da garrafa.
O olhar cuidadoso de meu pai me cerca e me oprime.

Eis que um dia conheço o amor.
A lua reflete-se na água, a água ondula com o vento e o vento brinca com teu vestido.
Tu diz-me 'Vem' e é como se o tempo também fosse contigo, lento, lentíssimo.
E de repente,

Tudo acelerado. Rodopiam. Gritam. Se esfregam. Cospem. Chafurdam.
E eu com eles. Eu sou eles. Não busco mais nada. Tampouco fujo. Fico ao vento.
E o vento me assopra. Mas persisto altivo. Me bajula, persisto. Me vira o rosto, me rio.
E eis que desiste. E por um instante sinto o sol arder em meu rosto, antes que a noite fria, acelerada, me abrace, dizendo-me que ela, e só ela, será minha companheira até o fim.

Sinto saudades. Sinto tristeza. Sinto culpa. Por isso não sinto mais nada.
Apenas um leve incômodo em meus cotovelos há tanto tempo apoiados no parapeito da janela.
E lembranças que me assaltam furtivas, brincalhonas, saudosas de mim.
E meu neto a me olhar, curioso, como se quisesse adivinhar o que vejo.

Ora o que vejo...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Batman sobe, Snowden cai e a Águia quer o seu fígado..

Tributo literário a Edward Snowden, filho contemporâneo de Prometeu.

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Siga-o, com a raiva em seus ossos.

Você não está vivendo, apenas está esperando as coisas ficarem ruins de novo.

Muito garotos vão para os túneis quando passam da idade.

Considerando que teu corpo não tem cicatrizes, eu não recomendo.

O mal ressurge do lugar onde tentamos enterrá-lo. Segredos não são mais possíveis.

Você não está presumindo muita coisa?

Não se preocupe, leva um pouco de tempo para se pegar o novo ritmo.

Ela precisava apenas de teu conhecimento. Por que entregaste também a vida?

Amor!? ... Ah, então essa é a sensação...

O que serve a uma pessoa é senhor da outra.

Quando digo que este dia é apenas mais um dia, estou preparando o meu arrependimento.

Você sabe o que está fazendo? Eu sei o que isso significa. Significa que você vai me odiar e que eu vou perder alguém cuja falta não posso suportar.

- Você é a maldade em pessoa.
- Não, eu sou um mal necessário.

- Eu sinto pelo que vai lhe acontecer.
- Não, você não sente.

Agora você é um dos nossos, não tem mais permissão para acreditar em coincidências.

O sofrimento fortalece o caráter.

Alguém vai e leva tudo, outro alguém vem e traz em troca um beijo e a traição.

A paz custou as suas forças. A VITÓRIA DERROTOU VOCÊ.

Você adotou a escuridão. Eu nasci na luz.

Sim, eu queria saber o que iria ser destruído antes. Seu corpo ou seu espírito?

Um homem precisa comer carne humana às vezes, Mas que apetite você tem!

Vc é um torturador? Sim, mas não do teu corpo. Da tua alma.

Eu aprendi que o desespero mais real mora no logo abaixo da esperança. Eles são um casal, com muita diferença de idade.

- Eu vim apenas para devolver o controle ao povo.

- Mas os ricos serão arrancados de seus ninhos aconchegantes.

A inocência não pode florescer aqui, ela tem de ser erradicada.

Uma criança nascida no inferno, forjada no sofrimento, endurecida pela dor, cuja beleza fora violada. uma criança extraordinária, não uma de privilégios. Ela destrói o mundo ou o reconstrói?

O salto para a liberdade não é uma questão de força. A sobrevivência é do espírito, da alma.

Você não teme a morte e acha que isso o deixa forte, isso o deixa fraco. A força mais poderosa do universo é o medo da morte. O jovem que alcançou a liberdade sem a corda e saiu do poço de onde jamais ninguém conseguiu escapar.

Ressurja, nascido no céu, para que possa salvar aos demais. Renasçam também os fígados, vitimizados por águias ou pelo álcool.

Como um nascido no inferno numa prisão sem grades, você está nela porque quer, merece ou não se esforçou o suficiente. Você é o culpado e vencer essa culpa não é uma questão de força.

A máscara não é para te proteger, e sim às pessoas que você mais ama. De que? De você mesmo.

Venha comigo, fica comigo, se salve, você não deve mais nada a essas pessoas, você deu tudo a elas.

Ouço o som do confronto, o som do recomeço, onde está o medo da morte agora? Mais próximo do que se possa imaginar.

Uma boa notícia eu te respondo em silêncio e olhando em teus olhos.

- Não faça isso conosco, somos inocentes.

- Inocente é uma palavra forte para se usar aqui.

É a faca lenta, que espera anos sem esquecer, nunca esquecida, que foge silenciosamente por dentre os ossos, é a faca que corta mais fundo.

Sinta o calor da fogueira em que queimam todas as almas que você decepcionou.

Cumpro as ordens do Pai, e concluo a obra que Ele começou, e meu pai tudo vê e tudo sabe.

Seria bom imaginar que o Bem vence e que o mocinho volta para casa para encontrar a mocinha, mas pode ser que ela não esteja lá quando ele voltar, pode ser que ela tenha problemas em ser mocinha, ou pode ser que o mocinho não volte.

Há um preço a ser pago pelas coisas, certas ou erradas, cedo ou tarde, eu ou você.

Almas úteis, prósperas e felizes é o meu legado.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

O ciclo.

Pauline é jovem.
Em seus ouvidos, promessas.
Em sua mente, poder.
Em seus olhos, sonhos.
Seu corpo é belo e forte.
E seus pensamentos são ágeis.

Mas Pauline também é Pedro. É Pauline-Pedro.
Eles moram e dançam juntos todo dia.

Há todavia um conflito.

Pedro quer viver acima. Ele é firme, claro em seus propósitos, usa a razão e almeja a transcendência.

Pauline quer viver abaixo. Ela emociona-se, flui, é obscura e lhe apetecem as necessidades. Acredita que daqui a 20 anos estará só, fazendo seus próprios movimentos. A sua outra metade terá sumido.

- Dancemos por amor e misturemos tudo, Pedro. Amor e dor, beleza, sofrimento e solidão.
- Dancemos até que o amor acabe. Acho que vou contar até 5.

5
4
3
2
1

Pedro-Pauline imergem.
.................................................................................................................................

Era uma vez, num reino muito, muito distante...

Quando Pedro ainda não era Pedro-Pauline e não era nem mesmo Pedro, apenas fluía no mar.

Veio então esta forma que chamamos de corpo e o diferenciou.

E passou a existir Pedro, que corria como o cão e usava uma coleira que era só sua. Não se perguntava por que a usava, nem se podia parti-la. Cria que seu destino o esperava, mas rodeava resoluto sem ir aos confins onde ficava aquilo sei lá o que que desejava.

O tempo passou e o discurso do  "nunca irei lá" passou a ser intercalado com o ato mais belo de ficar amarrado a beira de uma corda, com o corpo alongado como uma espada que todavia não desfere no mundo o golpe fatal de que é capaz. Ocupava um ângulo ruim de visão e não via quem havia partido e agora passeava lá fora com flores. Até a noite em que teve um sonho.

Tentavam enterrar viva sua irmã, mas ela continuava a dançar e não parava nem quando lhe entrava terra pela boca. Ela dançava por amor, e deixava um rastro, fazia um eco, pintava um retrato único e o assinava E dizia: Dance voce também!

No dia seguinte, Pauline aconteceu a Pedro.

Mas muito antes disso, num outro reino distante, Pauline não era ainda Pauline...

Havia recebido um belo corpo e com ele flutuava em águas profundas e turvas, e para amar, tentava fazer curvas. Todo dia ela fazia tudo igual, e variava entre a inconsciência e um tédio mortal. Não havia beleza, e para piorar, ela tinha finalmente cansado dos mimos  - jóias, roupas, viagens - que caíam a seus pés.

À noite, quando fechava os olhos, sonhava o doce canto de Sua confortável vida e renegava essa amante espúria, gasta e inconstante que é a Vida.

Numa segunda-feira, passeando por um sinuoso e pouco frequentado caminho do parque, Pauline tropeçou em Pedro. E não levantou mais.

...............................

Emerge Pedro.
Emerge Pauline.

Projetam-se no ar.
Artérias límpidas de uma natureza forte.
O ar pouco lhes resiste.
Assim, pois, avançam.

Mas logo à frente uma rocha fria e insuperável os espera.
Que importa, se agora todos são, cantam, dançam e estão livres?
Será uma linda explosão.
E Pauline espalhará seus corpúsculos aquáticos por sobre todos a quem tocou.

Pedro também fará do mesmo modo.
E muito outros, milhares e milhões.
Milhares de almas se esfacelando em seu gozo final, a cada expiração.
Guiadas pelas mesmas forças que as criaram.
Fazem radiante e sublime espetáculo.

Inspira, e a água aglutina-se, escorre e retorna à fonte.
Expira, e a água desintegra-se, borrifa e retorna da Fonte.



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A unha não perdoa os equilibristas.


Cuidado com a unha encarnada em meu fura-bolo,
Ela comanda um sobe e desce para que venhas ao mundo meu.
E o largo gesto de meu braço para que te vás, de vez, ao mundo teu?
Ela o comanda.

Esta terrível unha encravada, endiabrou-se de vez e agora,
Risca o ar ensandecida, maldizendo ao equilibrista de vocação:
Idiota, puta que pariu, saia da porra de cima deste muro,
Antes que em ti eu me crave - generosa em veneno,

Laboriosa e criadora de purulenta ferida,
A causar pútrida chaga em tua leitosa consciência hipócrita e presunçosa,
E antes que o dia se acabe,
Trace no céu uma vertiginosa Linha Final ao destino enfadado,

Da tua alma e coração, depostos e encarcerados,
Neste jardim mal-cuidado de lembranças,
No qual prezas protegê-los para que ninguém os tome,
Como se alguém pudesse querer relíquias tão sem graça,

Bêbado equilibrista condenado como Sísifo a repetir-se eternamente,
Vagando por sobre o muro que separa teu jardim e teu deserto,
Sepulcral deserto onde florescem, frutificam e desabrocham,
Tuas mirabolantes espécies proprietárias de princípios morais, de honra e de pureza,

Lugar triste e nublado, onde vagam almas e fantasmas,
Assombrando uns aos outros num jogo pueril,
Onde não se concebem lágrimas ou gargalhadas,
Que rompam o solo seco do teu coração,

Subsolo de águas-mortas-vivas que se recusam a correr,
Que lentamente apodrecem a vida,
Deste cadáver que é preciso disfarçar o cheiro,
Desta promessa aos pais que é preciso abandonar.

....................

Não importa.

Mesmo nos cadáveres, as flores crescem,
E a cada dia, uma nova escolha:
Se você tomar a pílula vermelha, a história continua.
Se você tomar a pílula azul, o muro desaparece.


(Este texto é a nova versão do texto "Ei tu aí, senhor(a) de si!")

domingo, 20 de janeiro de 2013

Deflorando mentes.

Eu sei quem você é.
Nós mal nos conhecemos.
Eu sou boa em adivinhação, intuição e em juntar peças desconexas quaisquer sobre a vida dos homens em geral. Mais alguns minutos de conversa e perguntas e eu poderei traçar um perfil completo de você.
Interessante... mas eu prefiro deflorar-te!
O que você está falando, seu canalha vulgar? Eu vou embora!
Fique aqui (ele a segura pelo braço), eu só posso e só vou deflorar a tua mente.
(silêncio e suspense angustiantes)
Eu não suporto o silêncio.
Ele é necessário. E agora que se acaba, vejo que em teu caso ele será quebrado de modo particularmente doloroso.
Estou ouvindo... (olhar desafiador)
Deflorar é tirar a flor. As pessoas comuns acham que trata-se de tirar a virgindade, romper o hímen. Mas como sabes, esta flor não te posso tirar novamente. Eu falo em deflorar a parte mais bela e intocada de tua mente: como julgas o mundo, e por reflexo, o que pensas de ti mesma.
(tristeza)
Aqui na rua? As pessoas estão olhando. Não faça isso, por favor.
É uma violência necessária a tua vida, pois estás a desperdiçando vergonhosamente, não preciso de tua autorização. Além disso, não te preocupes, eu já tive a minha vez, e por isso posso fazer isso por ti.
Levanta a saia dos teus preconceitos.
(ela, relutante, levanta)
Desabotoa a blusa de teus auto-enganos.
(seus dedos tocam os botões e hesitam; ele a ajuda)
Tira o sutiã de tuas ideologias.
Não (,) pára, eu não suporto mais isso. Tem que ser assim?
Tem que ser assim.
Baixa a calcinha de teus moralismos.
Eu não quero mais ouvir isso!
(se debate)
Estou quase acabando...
(Ela chora, enquanto as suas decisões anteriores, tão parecidas umas com as outras, alinham-se para uma última fotografia de despedida que faz sua mente latejar)
O que você fez comigo?
Perceba.
(ela primeiro desvia o olhar, mas quando olha,  mal se reconhece.)
Que é essa doce e intensa presença?
Acabamos. Veja como você está linda. Melhor, veja como VOCÊ É LINDA, PERFEITA!
(ela respira profunda)
Como te sentes sem a castidade mental com a qual impedias a ti própria o gozo dos teus infinitos, especiais e únicos potenciais?
Estranha, como se estivesse nua, mas não é ruim como eu imaginava. Estou bem...
Estás livre. Segue agora para uma vida intensa, porque os teus anos têm andado apressados. Já sabes o principal, que a beleza de tua mente não está em sua virgindade.
Posso ir contigo?
Dessa vez não.
Obrigada assim mesmo.



Esse texto foi desenvolvido a partir do texto original 'Deflorando mentes' de 2008 do mesmo autor.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Cada vez mais...

Cada vez mais prefiro,
Ser a Ter,
Ser a Saber,
Ser a Fazer,

E o tirano em mim, cada vez menos me obriga a,
Manter-me numa distância segura dos outros,
Dis(trair)-me de mim,
Usar o controle remoto do 'Click',

Mas ainda me assola,
Prometer,
Pertencer,
Amar,

E me amola,
Desejar,
Lutar,
Fracassar,

E me amola ainda mais,
Fingir não ser, do que fingir ser,
Deixar de pagar ao bem, do que deixar de pagar ao mal,
Errar por omissão, do que errar por ação,

E me define,
Andar por aí como se buscasse,
Mesmo sendo sem graça alcançar miragens,
Pois o bom mesmo é encontrar-se,
Con1sigo novo e belo,
Que só se revela,
Quando o outro deixa de ser o Outro,
E o eu-exilado é recebido com alegria de volta ao Lar.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Alguns recusam o empréstimo da vida para evitar o débito da morte

"Alguns recusam o empréstimo da vida para evitar o débito da morte
...
... as pessoas que morrem mais felizes são as que melhor viveram suas vidas. E acredito que isso se deve ao fato de que elas não têm grandes arrependimentos por não ter vivido suas vidas. Afinal não precisam se arrepender de ainda não ter dito as pessoas ao seu redor como as ama, pois já disseram. Não se arrependem de não ter contemplado a beleza da natureza e da vida, pois já a fizeram. Não se arrependem de não ter rido e ter se divertido mais, pois fizeram de suas vidas uma grande alegria. Ou seja, não temem tanto a morte, pois já foram se despedindo de suas vidas aproveitando todas as oportunidades que ela lhe ofereceu. ..."

Texto de Claudia Goellner Signoretti veja em 

http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_33962/artigo_sobre_alguns_recusam_o_emprestimo_da_vida_para_evitar_o_debito_da_morte

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A minha vida. Do meu jeito.

Linda música e interpretação sobre tomar as suas decisões e viver a própria vida com coragem:


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Vivia minha vida de preso, pensando estar livre.
Agora vivo minha vida de preso e sou livre.
Talvez tenha sido condenado a viver muitas de minhas encarnações em uma vida só.
E sendo assim, é sempre pouco o tempo que tenho.
E ainda que tenha recebido muito do mundo, achava que era pouco o que recebi dos meus.
Mas muitas vidas para viver em uma só é muito, mesmo para mim. Mesmo para você.
Num mundo que te dá mais do que você pode receber e me pede mais do que eu posso dar.
Uma parte desta minha vida já se foi, as outras, como todas, a cada dia floresce, e se desfaz.
Eu mesmo me consumo num 'como se' fosse. Como se fosse real, como se fosse importante, como se fosse durar, mas se durar, isso já não me pertence mais...
Deixo obras incompletas, que não saberei se são 'esqueletos da Encol' ou sementes.
Deixo porque tenho outras vidas para viver, todas agora, nesta vida, vocês não podem me ajudar nisso.
Para outras encarnações postergo a devolução do amor que recebo nesta, e isto as vezes me imerge numa suave infelicidade.
Mas aos meus, e eles sabe quem são, eu dedico as brechas de meu coração.
Com amor,
Aureo

quarta-feira, 13 de julho de 2011

IGray

Passo a desenvolver novos índices interessantes, a partir da expansão da ideia do IBOV (índice bovespa).

IGray: é o índice Dorian Gray de uma pessoa. Dorian Gray é o protagonista do romance "O retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde.

Nele um belo e inocente rapaz consegue, por meio obscuro, livrar-se de toda a feiúra e imoralidade que poderia lhe marcar a partir de suas práticas espúrias e continuar mostrando-se impecavelmente são em público, no seu dia-a-dia, enquanto o seu lado mau, humano e mesmo pútrido é mantido escondido das pessoas, de todas ou em geral, e sempre ou na maioria dos momentos.

Assim, quando alguém nos surpreende com um comportamento selvagem, primitivo, instintivo e até destrutivo, enquanto que no cotidiano esta pessoa se demonstra exatamente o contrário, dizemos que ela tem um IGray alto, ou seja, assemelha-se ao Dorian Gray ao mostrar a sua pureza e esconder a sujeira.

Todos temos um IGray maior ou menor. Quem é sempre bom e justo, pode, embora não necessariamente, indicar que "está escondendo sua alma sangrenta no sótão". é uma possibilidade do IGray.

Quem mostra em um momento uma explosão de instinto, permite um cálculo melhor do IGray ao permitir a comparação daquilo com o que a pessoa demonstra normalmente.

IGray baixo é uma face que é coerente em intensidade e em suas variações, de forma que estas não surpreendem em constraste com a personalidade normal, mas se harmonizam ou mesmo a reafirmam.

significado

O importante é, pelo menos de vez em quando, fazer algo sem sentido, para não perder o verdadeiro significado das coisas.

domingo, 6 de março de 2011

insights da constelação familiar

A supremacia do perdão, te libertando do julgamento que fazemos de nossos pais: "Do jeito que você pode ser (seja pai, mãe, irmão, amigo, filho,...), você é! (não há o que reparar; e o 'ser' supera o 'dever-ser').

(N.E.M)
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Para valer a pena, tudo o que você passou (coisas ruins), você tem que transformar, transmutar as coisas recebidas e fazer diferente, e bem, com elas.

(N.E.M)
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No filme de músicas 'The Wall', o protagonista luta e sofre com um enorme muro que o isola do resto das pessoas, e que foi construído durante a sua história infantil. Há uma solidão desesperadora.

E isso traz o papel do alcool à discussão. Dentre os vários motivos para usá-lo em demasia, um é o sentimento de solidão eterna e absoluta que se tem por estar cercado de uma muralha que não nos permite viver em companhia dos outros.

Nesta desesperadora situação (ainda que disfarçadamente ausente em uma pessoa cotidianamete gentil e agradável), o alcool aplaca a dor da solidão e constrói ligações com outras pessoas, quando não nos permitimos o amor e o perdão.

(este textículo é meu)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Consciência tranquila, memória ruim.

Tem um ditado que diz que uma consciência tranquila pode se basear em uma memória ruim. Abaixo um texto interessante sobre o tema.


A guerra é péssima para a memória

A dificuldade para lembrar e assumir os episódios mais traumáticos do passado é comum a pessoas e países. Cada um remodela sua lembrança, e falta tempo para assimilar uma história global

Jacinto Antón
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Visite o site do El País: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2008/11/05/ult581u2893.jhtm


Matou alguém? "Não sei. Nunca se sabe. Todos atiram. Você atira..." Cirilo Carranza, 87 anos, não vacilou até agora. Abriu sua memória com uma exatidão surpreendente, lembrando fatos de 70 anos atrás: a marcha para o Ebro com a 13ª Brigada Internacional, entre campos onde os agricultores deixavam sua tarefa para animá-los levantando o punho e gritando "Viva a República!"; a travessia do rio em 25 de julho de 1938 às 24 horas. "Como passei? De barco, em silêncio; o medo o torna silencioso. Se havia perigo? Claro!"; o ataque da aviação na planície de Corbera - "Nos metralhou a esquadrilha de Morato, filhos da mãe, com seus Mecheresmits" [pronuncia assim, com stacato raivoso, e não Messerschmitts]. "Se nos apanham na serra de Pàndols, onde não se podia esconder, cavar, eu estaria morto"; o assalto "dos mouros, gente ruim, até hoje não posso nem vê-los"; a ocasião em que pela primeira vez em anos comeram bananas; os poloneses da brigada gritando "Curva!" - "Sabe o que significa? Sim, prostituta"; a retirada, "muito organizada", protegidos pela "Gloriosa, nossa aviação".

Ele lembrou, sorvendo seu café com leite e traçando linhas com os dedos sobre a mesa gasta do bar, posições e movimentos. Lembrou o conhaque com que enchia o cantil, as bolachas e o marmelo, o peso de seu fuzil, "um fuzil russo, mais alto que eu, muito ruim, que com dois tiros emperrava, sorte das bombas de mão". Mas em sua memória, embora haja mortos - "Às vezes tínhamos de enterrá-los porque cheiravam mal" -, Cirilo não mata ninguém, nem vê ninguém morrer. "Se você avança não pára porque alguém caiu, e se voltar, menos ainda; ninguém olha para trás."

O depoimento de Carranza, nascido em Barakaldo mas criado em Badalona, que se alistou como voluntário com 17 anos e, homem áspero mas honesto, continua fiel ao ideário revolucionário - "Quê? Você trabalhava no domingo? Que merda! Para isso fizemos a guerra?" -, é muito diferente do de outro veterano, de outra contenda, o alemão Peter Brill, 85 anos, piloto de caça da Luftwaffe na Segunda Guerra Mundial. Mas guarda pontos de contato em algo essencial: para ele também é difícil reconhecer que matou alguém.

No terraço de sua casa em Barcelona - curiosamente vizinha à de Jordi Pujol -, enquanto caem as sombras e revoa um par de morcegos, Brill evoca sua peripécia na Jagdgeschwader 77 (esquadrilha de caça). Começou seus vôos de combate na frente ocidental, nada menos que na operação Bodenplatte, o desesperado ataque de caças aos campos de pouso aliados na Bélgica e Holanda em janeiro de 1945. Depois passou para a frente leste.

O ex-piloto da Luftwaffe também lembra com pormenores, enquanto a brisa move suavemente as maquetes de aviões penduradas no quarto aberto para o terraço. Lembra a carlinga do Messerchmitt-109, que se fechava como um caixão. O conselho de "nunca ir para baixo" quando era perseguido por um Mustang, muito mais rápido ao picar. A ocasião em que o motor de seu avião parou a 8.000 metros sobre território russo, ou aquela em que os bombardeiros soviéticos se defenderam "lançando granadas de pára-quedas sobre nossos caças". Quarenta combates.

Não quer recordar se fez derrubadas até depois de um bom tempo de conversa. "Não digo!" então sim, quando a noite apagou seu interlocutor, chega a confidência: "Derrubei quatro russos. Os matei, com certeza. Você atira com tudo. O avião se destroça. Ninguém sai vivo. Não gosto de falar disso. Não estou orgulhoso."

O piloto octogenário, o velho soldado republicano... "A memória é o que a gente quer recordar", indica o historiador Ronald Fraser, autor de "Recuérdalo tú, y recuérdalo a otros" [Lembre você e lembre aos outros] (ed. Crítica), sobre a experiência de mais de 300 pessoas durante a Guerra Civil espanhola. "De todos esses entrevistados não encontrei nenhum que tivesse matado alguém", continua, agitando a cabeça enquanto bebe água no bar de seu hotel, durante uma visita a Barcelona. "É muito interessante, as pessoas não querem lembrar o que não é socialmente permitido." Como no caso de Carranza, de Brill ou daquele outro piloto, José Sandoval, ás da aviação republicana no comando de seu Chato, que nunca quis falar de suas derrubadas. "Sim, sim, é assim, muito curioso."

E é possível recuperar a memória global da história, com tanta lacuna? "Não, não há uma memória. A memória é subjetiva e individual. Cada um tem a sua. E é uma memória remodelada, uma rememória. Em boa parte, as pessoas montam suas próprias recordações. Não se pode confiar muito no relato objetivo. Mais nas motivações, porque se as pessoas não tivessem feito o que fizeram não teria acontecido o que aconteceu."

Para Fraser, a única materialização tangível da memória "são as fossas comuns, e mesmo nesse caso é preciso ir com muito cuidado, ser muito rigoroso. Já vi números muito exagerados em alguns lugares, em Valência, por exemplo. Deveria ser feito um controle refinado de tudo isso, em nível de Estado. Se não há um padrão, uma norma, cada região fará o seu a sua maneira e não conseguiremos cifras exatas e indiscutíveis".

Se as pessoas têm dificuldade para assumir seu passado, os países agem igualmente, ocultando ou negando os acontecimentos que para eles são traumáticos ou vergonhosos. Os japoneses insistem em ignorar sua responsabilidade e até negam a invasão da China. Os italianos deixavam passear de bicicleta por Roma o SS Erich Priebke, um dos carrascos das Fossas Ardeatinas.

Neste verão se viveu mais uma tentativa de fechar uma dessas grandes cicatrizes da memória que possui a vizinha França: o massacre de Oradour-sur-Glane, no Limousin. Em 10 de junho de 1944, efetivos da 2ª Divisão Panzer das Waffen-SS, a duríssima Das Reich, curtida e enrijecida na frente leste, assassinaram 642 pessoas - entre elas 245 mulheres, 207 crianças e o abade Chapelle, paradoxalmente partidário de Petain - e arrasaram a cidade em uma orgia de horror (chegou-se a atirar um menino ao forno do padeiro) vagamente justificada pelo suposto apoio da localidade à Resistência. Depois da guerra, na hora de julgar os fatos, a França se encontrou com a desagradável surpresa de que 14 dos SS acusados de participar do massacre eram alsacianos: 13 "Malgré nous" (incorporados à força ao exército nazista), mas também um voluntário. As sentenças foram muito brandas, o que provocou indignação por um lado, mas também o desagrado da Alsácia-Lorena, na consideração de que seus jovens tinham sido usados como bodes-expiatórios.

O assunto, a ponta do iceberg da participação francesa no exército de Hitler (47 mil alsacianos morreram ou desapareceram lutando sob as bandeiras nazistas no leste e um batalhão da Divisão das SS Carlos Magno, de voluntários franceses, esteve entre a nata dos defensores de Berlim), para não falar no colaboracionismo, continua sem estar totalmente resolvido. Os automóveis com placa dos departamentos da Alsácia foram tradicionalmente apedrejados em Oradour e no Limousin em geral, região onde os "maquisards" da Resistência foram muito castigados pelos nazistas (e não só ali: 105 homens acusados de fazer parte do maquis de Manises foram fuzilados em 12 de junho de 1944 nas Ardenas por um comando do 36º Regimento de Carros da Whermacht no qual também havia voluntários alsacianos).

Em seu livro sobre a sangrenta marcha da SS Das Reich através da França rumo à Normandia ("Das Reich", Pan Books, 1981), o historiador Max Hastings sugere que a conexão nacional com a chacina de Oradour poderia ser ainda mais sinistra: os nazistas teriam escolhido como alvo o povoado - um absurdo do ponto de vista militar - por causa de informações de uma fonte francesa ingênua ou mal-intencionada.

Em junho passado, no 64º aniversário do massacre, houve a enésima tentativa de reconciliação e do ato em memória das vítimas participaram Raphël Nisand, prefeito da alsaciana Schistigheim, que faz parte da comunidade urbana de Estrasburgo, e Jean Marie Bockel, que simbolicamente une a sua condição de secretário de Estado da Defesa e ex-combatente da Resistência o fato de ser alsaciano. Bockel reconheceu que é inegável que houve alsacianos que compartilharam a ideologia nazista, e ao mesmo tempo lembrou que entre os mártires de Oradour havia famílias alsacianas. O prefeito de Oradour, Raymond Frugier, é a favor da reconciliação, mas não muito antes teve de engolir o sapo de ver morrer de velhice, em sua cama e sem remorsos, com 86 anos, um dos piores sujeitos (e havia muitos), o sargento Heinz Barth, que se vangloriou diante de seu pelotão a caminho do povoado: "Hoje vocês vão ver correr sangue". Frugier disse: "Por crimes como esses uma pessoa não deveria ser perdoada".

Problemas com a memória como os de Oradour na França existem em todos os países. "Sim, claro", afirma Fraser. "A França não fez o que deveria fazer. Essas feridas demoram muito para sarar. Inclusive nos EUA de alguma maneira a brecha da Guerra Civil entre o norte e o sul se perpetuou por 150 anos. Na Espanha as feridas são maiores, especialmente entre os vencidos. Mas a sociedade espanhola está suficientemente madura para assimilar seu passado. É melhor assumir do que reprimir. Se não, sempre volta por caminhos inesperados."

Vocês, britânicos, também têm os seus, eu digo ao historiador; para não falar de que os incomodou ouvir que Montgomery era gay, aí está o recente problema com os gurkhas, as tropas mercenárias nepalesas que lutaram ferozmente pelo império e aos quais demoraram tanto a conceder direitos de cidadania. Inclusive dois vencedores da Segunda Guerra Mundial da Cruz de Vitória, a maior recompensa ao valor, Lachhiman Gurung, de 91 anos, e Tul Bahadur, de 86, tiveram de dar a cara e - como as legiões amotinadas do Reno diante de Germânico - mostrar suas cicatrizes nos tribunais.

Às vezes é mais fácil lutar com granadas contra os japoneses do que contra a memória fraca de um povo. "Sim, é incrível, essa gente que lutou na primeira linha por nós, tão valentes, e regateiam suas pensões. Na Grã-Bretanha temos outros casos: continuamos vivendo Dunquerque como uma vitória, quando foi uma grande derrota. Ou os bombardeios sobre a Alemanha: ainda se acredita que foram justificados, é difícil assumir que tanto sofrimento não serviu para encurtar a guerra. Esquecer, adaptar à memória a nossa conveniência, é uma reação humana comum, em nível mundial. Como você administra a memória tem a ver com o destino que tiveram as populações depois dos traumas. A Alemanha foi obrigada a assumir sua culpa em Nuremberg. Para o vencido a memória sempre é muito problemática."

Uma guerra fratricida é ruim para a memória. "E mais que isso. Na Espanha houve um grande silêncio entre os que a viveram. Ninguém falava disso com seus filhos. Silêncio e esquecimento. Creio que em seu foro íntimo, com o passar dos anos, todos, inclusive os vencedores, pensavam que nada valia a pena uma guerra civil. Agora parece que as pessoas estão dispostas a falar. Mas nunca se poderá fazer uma recuperação total. É preciso assumir as feridas que restaram do conflito."

Fraser duvida quando lhe pergunto se confrontar as pessoas com sua memória, fazê-las recordar, tem um valor catártico: "Eu não saberia dizer, mas houve um caso, um capitão de artilharia que eu entrevistei e que participou da tomada do Quartel de la Montaña. Depois de lembrar tudo, sofreu um infarto. Imagine, um homem que havia sobrevivido à guerra e eu quase o matei ao fazê-lo recordar."

Fala a um antigo amigo

Meu Amigo Pedro (letra do mestre Raul), ouça em http://www.youtube.com/watch?v=oU2aGLfmZvg


Muitas vezes Pedro você fala

Sempre a se queixar da solidão

quem te fez com ferro fez com fogo, Pedro

É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia

Sem saber se é bom ou se é ruim

quando quer chorar vai ao banheiro

Pedro, as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso

Ou me queimo torto no inferno

Eu penso em você meu pobre amigo

Que só usa sempre o mesmo terno

Pedro onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou


Mas tudo acaba onde co..me..çou

Tente me ensinar das tuas coisas

Que a vida é séria e a guerra é dura

Mas, se não puder cale essa boca, Pedro

E deixa eu viver minha loucura

Lembro Pedro aqueles velhos dias

Quando os dois pensavam sobre o mundo

Hoje eu te chamo de careta

E você me chama de vagabundo

Pedro onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou

Mas, tudo acaba onde co..me..çou

Todos os caminhos são iguais
O que leva à glória ou a


perdição

Há tantos caminhos, tantas portas

Mas, somente um tem coração

E eu não tenho nada a te dizer

Mas, não me critique como eu sou

Cada um de nós é um universo, Pedro

Onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou

Mas tudo acaba onde co..me..çou

É que tudo acaba onde co..me..çou

sábado, 9 de outubro de 2010

Dos amigos:

Tá no inferno, abraça o diabo.

nós capota, mas não brequa.

o que não falta é tatu para me levar para o buraco
A substância ou forma SUPER-PROTETORA, protege de tudo, inclusive de pancada, mas não permite o protegido respirar e por isso produz água por baixo... e apodrece.
Quando digo "eu te perdôo" quero dizer "eu me liberto".

quinta-feira, 24 de junho de 2010

- Ei, tu aí, senhor(a) de si!

Veja a unha:
ela sobe e desde,
sobe e desce,
e no movimentar-se do dedo

ela sinaliza chamando para vires ao mundo meu,
ou ir-te ao mundo teu, mas - idiota,
- puta que pariu! - sai da porra de cima deste muro,
antes que minha unha insana em ti se crave

laboriosa e criadora de purulenta ferida
a causar pútrida chaga em tua leitosa consciência hipócrita e presunçosa;
antes que o dia se acabe
com minha unha traçando no céu linhas vertiginosas do teu destino alado,

deposto e encarcerado,
na caixinha de lembranças na qual pensas escondê-lo,
para que ninguém o leve,
como se alguém pudesse querer algo nessas condições tão desgraçadas;

ó bardo beduíno de alma exilada no monumental, ainda não sepulcral,
deserto onde florescem, frutificam e desabrocham,
em mirabolante quantidade e qualidade,
todas as tuas espécies proprietárias de princípios morais e de honra,

mas é lugar triste, onde vagam almas e fantasmas,
assombrando uns aos outros,
onde não se concebem lágrimas ou gargalhadas,
para fender o solo seco do teu coração,
suportado pelo subsolo de água parada que se recusa a subir,
e que lentamente apodrece a tua vida.

se fosses apenas alguém superficial,
os cuidados obsequiosos com o corpo disfarçariam o cheiro!